Alckmin fala em dar trator a produtor rural; Bolsonaro, em armar com fuzil

Ambos falaram em dar segurança jurídica e pública no campo em evento do setor agropecuário em Brasília

Felipe Frazão - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Adversários na disputa pela Presidência da República, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) fizeram hoje propostas diferentes para uma das principais reclamações do agronegócio no Brasil, a insegurança e conflitos no campo. Questionados sobre o porte de arma para proprietários de terras e trabalhadores rurais, Bolsonaro disse que defendia o direito do produtor rural de ter um “fuzil”; Alckmin, por sua vez, pregou o combate aos criminosos e disse que o produtor precisa de um “trator”.

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“No que depender de mim, o homem do campo vai ter fuzil em sua propriedade”, disse Bolsonaro a veículos de imprensa especializados no setor, repetindo a proposta que se tornou bandeira de sua campanha e de atuação de seus aliados no parlamento. Bolsonaro também classificou como criminosas ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência Foto: Igor Estrela/Estadão

“Cada produtor rural deve ter um trator para poder produzir, alimentar o povo e aumentar a produtividade”, respondeu Alckmin, ao ser indagado se concordava com a ideia do adversário. “É intolerável ter invasão de propriedade. Invadiu, ‘desinvade’. É imediato. Nós temos é que prender bandido, isso sim. Não é discurso, é fazer. Não é promessa, é o que efetivamente já foi feito”, disse ele, destacando redução de índices de criminalidade em São Paulo.

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O tema está em discussão no Congresso Nacional, como uma alteração no Estatuto do Desarmamento. Os dois pré-candidatos visitaram hoje a feira AgroBrasília, realizada na zona rural da capital federal. Ambos falaram em dar segurança jurídica e pública no campo.

Bolsonaro afirmou que sua primeira proposta para o setor é “não atrapalhar” o agronegócio. Alckmin falou em ampliar a pesquisa, seguro de renda, melhorar a logística, a sanidade vegetal e animal e apresentar um plano plurianual de crédito. “Nossa grande vocação é agroindustrial”, disse o tucano.

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Os dois pré-candidatos disputaram a atenção de visitantes e expositores na feira. A claque de militantes de Alckmin era maior, mas Bolsonaro foi mais tietado. Havia carros adesivados com o nome do deputado e fãs trajados com camisas dele. Um deles era o estudante de Administração Francisco Cenci, de 24 anos, que vestia uma camiseta preta estilizada com o rosto do parlamentar do PSL e a inscrição “Bolsonaro presidente”.

Ele virou a camiseta do avesso para tentar uma foto ao lado de Alckmin. “Estou em dúvida. Ele (Alckmin) é meu segundo voto”, disse. Questionado se tinha a preferência do setor, Bolsonaro afirmou que hoje nenhum pré-candidato “domina nada”.

Relembre

Conforme reportagem do ‘Estado’ publicada em 6 de maiodados oficiais do governo de Mato Grosso, maior produtor de grãos do País, mostram uma alta de 60% nos registros de roubos e furtos no campo entre 2014 e 2017. No mesmo período, houve incremento de 20% dos índices em Goiás, de 7,5% no Rio Grande do Sul e de 4% em Minas Gerais - onde a média dos últimos dois anos é de 139 casos por dia.

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