Edson Lopes Jr|Governo de SP
Edson Lopes Jr|Governo de SP

Alckmin evita falar de 2018 e diz a rádio gaúcha que momento é de retomada de empregos

A emissora do Rio Grande do Sul, governador de SP defendeu importância de prévias para eleição de Doria em SP e para escolha de futuro nome tucano na disputa presidencial

Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2016 | 11h00

Ao defender a realização das prévias que escolheram João Doria como o candidato do PSDB para disputar a prefeitura de São Paulo neste ano, o governador paulista Geraldo Alckmin disse que este processo não divide, mas agrega apoio. Apesar da defesa, Alckmin evitou comentar se a vitória de Doria na capital fortalece seu nome para disputar as primárias do partido que decidirão o candidato tucano para a eleição presidencial nem se esse instrumento será utilizado para a escolha do concorrente do PSDB em 2018.

"Não é hora de discutir eleição presidencial de 2018, o momento é de retomada de empregos no País", disse o tucano, em entrevista à Rádio Gaúcha que foi ao ar na manhã desta sexta-feira, 7. Nos bastidores, contudo, o governador vem conquistando apoio para essa empreitada e defende que o nome do candidato que disputará a sucessão de Michel Temer (PMDB) seja escolhido por prévias. Além de Alckmin, estão também no páreo o atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG).

Na entrevista à Rádio Gaúcha, que foi gravada no início da tarde da quinta-feira, 6, Alckmin justificou sua defesa das prévias partidárias em uma eleição invocando o nome do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Sempre fui fã do processo americano de primárias. Só nos EUA Obama poderia se eleger presidente (por esse instrumento), pois é negro, tem sobrenome Hussein e nasceu no Havaí." Segundo o governador tucano, as prévias permitem o surgimento de novas lideranças, a exposição de novas ideias e a escolha deixa de ser cartorial e passa a ser ampla e democrática. Em seguida, voltou a elogiar Doria, dizendo que ele é um agregador e conquistou a confiança da população de São Paulo.

O governador afirmou ainda que a vitória de seu afilhado político foi conquistada de maneira correta. "Entendo que a campanha de João Doria começou de forma correta, com prévia. Democracia começa dentro de casa, uma prévia com 20 mil participantes, com nossos filiados. Depois, teve a empatia com a população, ele é uma pessoa muito disciplinada, percorreu vários bairros e regiões na campanha", disse Alckmin.

Ele voltou a dizer também que a vitória do PSDB em São Paulo "mostra a derrocada do PT, que provocou o enorme desajuste fiscal, que acabou levando à atual crise econômica e desembocou no impeachment (de Dilma Rousseff), além das questões de natureza ética.

Na avaliação do governador, o fato de Doria ter sido eleito no primeiro turno em São Paulo representa também a opção pelas novas lideranças, novos ares. "São Paulo tem pressa para retomar o emprego e avançar", destacou. Alckmin disse que o prefeito eleito se apresentou como "não político", mas seu pai foi deputado federal pela Bahia, cassado, exilado e perseguido na ditadura militar.

"A mensagem que fica de sua eleição é que precisamos buscar uma gestão melhor, não tem como aumentar mais impostos, a população está no limite, é preciso eficiência e redução de custos, fazer mais com menos dinheiro, fazer melhor", disse o tucano. E disse que para fazer uma boa gestão pública não precisa ser só empresário, pois tem políticos que já fazem isso. "Precisamos fazer o que tem de ser feito. Infelizmente a política reúne muito picareta, muita gente ruim. A mensagem (vitória de Doria) é que precisamos de boa administração, responsabilidade, e aqueles que têm perfil de boa gestão, a população identifica rapidamente."

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