Alckmin está insatisfeito com comando da Agricultura

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem dado mostras nas últimas semanas de que está insatisfeito com a atual condução da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o que tem, segundo auxiliares próximos, fortalecido a tese de que a atual titular da pasta, Mônika Bergamaschi, poderá ser substituída em uma minirreforma do secretariado, prevista para março.

GUSTAVO PORTO E GUSTAVO URIBE, Agência Estado

28 de dezembro de 2011 | 18h10

A avaliação do governador de São Paulo, de acordo com membros da administração estadual, é de que a pasta poderia ter apresentado um desempenho melhor este ano, com um mais amplo plano de atuação estratégica e com projetos de maior repercussão na área. O diagnóstico, segundo integrantes do Palácio dos Bandeirantes, é de que a atual secretária estaria isolada politicamente e que o secretário-adjunto, Alberto Macedo, dificulta o encaminhamento de pedidos e projetos.

As críticas ao desempenho da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, entre as quais há dificuldade de interlocução com a Pasta e falta celeridade na execução de projetos que beneficiem o segmento agropecuário, surgem até entre aliados, como o presidente estadual do PSDB, deputado estadual Pedro Tobias. O dirigente tucano defendeu abertamente a saída da secretária. "No meu ponto de vista, a atual secretária deveria ser trocada", disse. Logo após assumir o cargo, a secretária irritou o dirigente tucano ao escalar o secretário-adjunto para recepcioná-lo em uma audiência. O deputado estadual não aceitou o encontro, levou as críticas ao Palácio dos Bandeirantes e ameaçou torná-las públicas em um discurso na Assembleia Legislativa, mas foi demovido da ideia. Em público, o governador de São Paulo elogia a secretária e banca a permanência dela no cargo.

"A secretária de Agricultura e Abastecimento vai muito bem e vai continuar secretária", disse o governador de São Paulo, na manhã de hoje (28), em Ribeirão Preto, após um compromisso de sua agenda. Mas o desconforto do governador com o modo de comando da Pasta teria sido manifestado em reunião, no dia 17 de dezembro, com a equipe de governo. Segundo alguns presentes, o tucano teria feito cobranças à secretária, após ela apresentar um balanço das ações de 2011 e das previsões para 2012. "A situação interna da pasta passa atualmente por muitas turbulências", resumiu um aliado do governador. Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura negou que o governador tenha feito, durante a reunião, "reprimenda específica à secretária Mônika Bergamaschi".

Após o episódio com o presidente do PSDB, o secretário-adjunto foi ainda o pivô de uma áspera discussão com a então chefe de gabinete da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Maria Cristina Godoy. Segundo relatos de funcionários da Pasta, no episódio que culminou com sua saída do cargo, Maria Cristina teria até mesmo ido ao gabinete da secretária para chamá-la de "marionete". Além de reclamar da centralização dos poderes da Pasta nas mãos do secretário-adjunto, a ex-chefe de gabinete teria discordado de vários procedimentos internos. "Não quero me pronunciar sobre isso", respondeu a ex-chefe de gabinete ao ser procurada pela reportagem. Por meio da assessoria de imprensa, a secretária informou que "não fará comentários" sobre as demais informações noticiadas.

A assessoria de imprensa ressaltou ainda, por meio de nota, que a Pasta tem "trabalhado intensamente pelo desenvolvimento do agronegócio paulista". "Nos colocamos à disposição das solicitações da imprensa sobre nossos programas e projetos". O governador de São Paulo, por sua vez, afirmou que o cargo de chefe de gabinete é de confiança e que a "secretária muda quantas vezes for necessário". No mesmo evento, em Ribeirão Preto, a reportagem tentou falar com o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP), que foi ex-secretário de Agricultura e Abastecimento entre janeiro de 2003 e março de 2006. O deputado federal foi o responsável pela indicação da secretária e do secretário-adjunto, após o governador tentar negociar o comando da Pasta com o PMDB e o DEM, sem sucesso.

Ao iniciar a entrevista, negando qualquer crise na secretaria estadual, o deputado federal foi interrompido por um assessor para que atendesse uma ligação urgente. Era a secretária em busca de notícias. O deputado federal conversou com ela por alguns minutos, a tranquilizou e entrou na van em que estava o governador, sem concluir a entrevista.

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