Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Alckmin esfria ímpeto de tucanos por impeachment

Governador de São Paulo afirma que pedido de afastamento de Dilma 'não está colocado' e que é preciso 'investigar'

Pedro Venceslau , O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2015 | 02h01

Depois de ver os líderes das bancada do PSDB no Congresso Nacional defenderem o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a realização de novas eleições presidenciais na semana passada, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, criticou nessa segunda-feira, 10, a possibilidade de um pedido de impedimento.

"Essa questão de impeachment não está colocada neste momento. Não há nenhuma proposta hoje de impeachment no Congresso Nacional. O que precisa agora é investigar, investigar, investigar e cumprir a Constituição", afirmou.

A declaração foi feita no Recife, onde o governador participou, ao lado do senador Aécio Neves, presidente do partido, de uma solenidade em homenagem ao governador Eduardo Campos, morto em 2014.

Os aliados de Alckmin na Executiva da sigla reclamaram na semana passada com emissários de Aécio que o partido não debateu o tema em suas instâncias de decisão. Dizem que, neste momento de acirramento da crise, a estratégia tucana deve ser desenhada com a participação de todas as correntes internas.

Ao afirmar ontem na capital pernambucana que "as alternativas que estão colocadas não dependem do PSDB", Aécio agiu para evitar que se instalasse uma crise entre os líderes das bancadas tucanas no Congresso Nacional e a ala paulista do partido. O senador José Serra (PSDB-SP) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também desaprovaram a radicalização dos parlamentares.

'Ansiedade'. Alckmin evita abordar o tema em público e delega as críticas para aliados. Mas, em conversas reservadas, ele reprovou a "ansiedade" das bancadas do PSDB no Congresso, especialmente na Câmara.

Segundo tucanos próximos ao governador paulista, a homenagem feita quinta-feira no Palácio dos Bandeirantes ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) serviu para marcar diferença entre a estratégia "incendiária" deflagrada por Aécio no Congresso e o zelo pela institucionalidade que marca o discurso da velha-guarda do partido, que se concentra majoritariamente em São Paulo.

Embora se diga pessoalmente favorável ao impeachment, Alckmin avalia que o PSDB erra ao pressionar o Tribunal Superior Eleitoral e o Tribunal de Contas da União, já que a sigla não tem qualquer influência sobre a decisão dos dois colegiados. Aliados de Alckmin reclamam, ainda, que o líder na Câmara, Carlos Sampaio (SP), "está muito acelerado". / COLABOROU A.B.

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