Alckmin encorpa equipe de transição

Tucano já escalou quatro nomes para realizar a tarefa, considerada por ele 'tranquilíssima'

Roberto Almeida, de O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 19h08

SÃO PAULO - Em campanha pelo candidato tucano à Presidência, José Serra, o governador eleito de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) preteriu a criação de um gabinete de transição até o dia 31 de outubro, data da conclusão do segundo turno, mas vem encorpando com nomes de sua confiança o time que vai trabalhar para sua assunção ao Palácio dos Bandeirantes a partir do ano que vem.

 

Alckmin já escalou quatro nomes para realizar a tarefa, considerada por ele "tranquilíssima". Sob coordenação do deputado estadual Sidney Beraldo, ex-secretário de Gestão de Serra, a equipe de transição é formada, por enquanto, pelo deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), pelo ex-secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e pelo ex-chefe de gabinete de Alckmin e seu secretário pessoal, Orlando Baptista.

 

A divisão de trabalho entre Torres, Fernandes e Baptista ainda não foi definida. Beraldo, que lidera o grupo, mantém rotina de viagens de campanha para o interior paulista a fim de converter votos da ex-presidenciável verde e senadora Marina Silva (AC) para Serra.

Esses nomes, e outros que ainda serão definidos ao longo do mês, passarão a trabalhar em conjunto com uma equipe de Serra para manter a execução dos atuais programas de governo. "Nós vamos dar continuidade a todos os projetos em andamento e agregar novas propostas para São Paulo", afirmou Alckmin ao Estado.

 

O local onde trabalhará o gabinete de transição, a partir do dia 1º de novembro, também está sendo organizado. Será no último andar do Edifício Cidade, na Rua Boa Vista, centro de São Paulo. É o mesmo local onde Serra fez sua transição para o Palácio dos Bandeirantes em 2006 e área reservada para despachos do governador.

 

Naquela ocasião, o presidenciável tucano pediu discrição no processo para não atrapalhar a disputa entre Alckmin e Lula, que buscavam votos no segundo turno das presidenciais. O mesmo deve acontecer até o início de novembro em prol de Serra.

 

"Vamos discutir ideias, analisar propostas e os programas. Alckmin nos nomeou para dar início ao processo", observou o deputado Silvio Torres. "É um governo de continuidade e o trabalho será o de estabelecer um modelo de transição."

 

Segundo Torres, o perfil de Alckmin é "um pouco diferente" do de Serra. "O que basicamente vai se trabalhar é compatibilizar com o que já está em andamento", afirmou. A configuração do próximo secretariado, no entanto, fica para novembro, após o fim das eleições.

 

A especulação e definição de nomes permanece "congelada" entre tucanos, mas a expectativa é que Alckmin faça mudanças significativas, independente de uma eventual vitória de Serra e a possível ida de sua equipe para o Palácio do Planalto.

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