Alckmin, em discurso, diz que câmbio está fora do eixo

O pré-candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, antecipou nesta segunda as linhas gerais da política econômica que pretende implantar em um eventual governo tucano. "O nosso primeiro compromisso é com a macropolítica econômica que permita ao Brasil voltar a ser o País das oportunidades", afirmou, ao discursar no seminário sobre agronegócio preparado pelo comando nacional do PSDB.Ele se comprometeu a adotar uma política fiscal mais dura e uma política monetária compatível com o crescimento, para que o câmbio volte ao seu ponto de equilíbrio."A crise tem nome e sobrenome: é câmbio e câmbio", disse, recebendo aplausos e repetindo críticas ao governo Lula. Para ele, o governo do PT precisa sair do "marasmo". "É preciso ter governo que governa, que avança, que age, que tome atitudes, que saiba das coisas. Hoje, temos um governo que não sabe de nada, não ouve nada e não tem conhecimento de nada".Ao desembarcar em Cuiabá, Alckmin adotou um discurso voltado para a economia e, particularmente, para o agronegócio, carro-chefe de Mato Grosso. Além de responsabilizar o governo pela crise no setor, sinalizou para um cenário pessimista. "E quando o agronegócio tem problema, atinge a todas as atividades econômicas, afetando a indústria e comércio".O pré-candidato tucano prometeu recuperar a capacidade de investimento do governo nos setores de infra-estrutura e logística. "O grande projeto do governo federal é o tapa-buraco das estradas; não investe em nada".ApoioAlém do problema cambial, Alckmin apontou a alta taxa de juros como uma das causas da crise do agronegócio. "Temos os juros mais altos do planeta", disse. No discurso, Alckmin recebeu o apoio do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), que é adversário político dos tucanos no Estado."Quero deixar clara minha simpatia por sua candidatura. Se quisermos mudanças no País, temos de nos unir", afirmou Maggi. Mas deixou claro que o apoio formal depende da desistência do deputado Roberto Freire (PPS-PE) de concorrer ao Planalto. Considerado o maior produtor individual de soja do mundo, Maggi é candidato à reeleição.Seguro RuralAo lado dele, Alckmin defendeu a universalização do Seguro Rural para cobrir eventuais problemas com a safra. "Se tivermos um seguro rural, podemos equacionar muito o financiamento do custeio agrícola", destacou.Além de enfatizar que o Brasil vive a mais grave crise do agronegócio das últimas décadas, o pré-candidato do PSDB responsabilizou o governo pela "enorme lentidão" em adotar medidas.Outra política a ser implantada, segundo Alckmin, será o investimento para integração dos vários modais para o transporte da safra. "Porém, é preciso recuperar a capacidade de investimento do Estado", disse, lembrando que o Brasil possui uma carga tributária de 39% do PIB mas os investimentos não passam de 0,4% do PIB. "Precisamos fechar as torneiras do desperdício", concluiu.

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