Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Alckmin elogia DEM e admite ‘múltiplas’ chapas

Governador diz ter ‘apreço’ por sigla de Maia; tucano vai anunciar coordenador de área econômica da campanha na próxima semana

Renan Truffi e Renata Agostini, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2018 | 17h23

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Pré-candidato do PSDB para a Presidência, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, admitiu nesta terça-feira, 9, a possibilidade de “múltiplas candidaturas” ao Palácio do Planalto, enquanto busca se firmar como o nome de centro na disputa eleitoral deste ano. Em Brasília para agenda partidária, ele elogiou o DEM, legenda do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), e disse que vai anunciar seu coordenador econômico de campanha na próxima semana.

Para se firmar como o candidato de centro, Alckmin falou em união e lançou seu mote: emprego e renda. O Estado apurou que entre os colaboradores estão os economistas Persio Arida, Roberto Giannetti e Yoshiaki Nakano.

O deputado fluminense e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), já se movimentam para a sucessão do presidente Michel Temer. “Rodrigo Maia tem razão quando fala que não tem como ter um candidato só porque é natural. O Brasil não é o modelo americano de dois partidos. Essa fragmentação partidária é enorme, uma jabuticaba brasileira. A multiplicidade partidária leva a múltiplas candidaturas”, afirmou o governador e também presidente nacional do PSDB.

Apesar da corrida entre os três nomes pelo Planalto, Alckmin adotou discurso conciliador. “Isso (definição de candidaturas) é um processo que está no começo, os argumentos da eleição não foram nem colocados. É preciso controlar o estresse. Essas coisas são definidas mais à frente”, disse, antes de acenar ao DEM: “Eu tenho um grande apreço pelo Democratas, que foi sempre nosso parceiro em São Paulo, tem bons quadros, lideranças jovens importantes, o Rodrigo, o ACM Neto (prefeito de Salvador). Respeitamos profundamente o DEM".

A manifestação do governador se contrapõe às pressões internas para que sua candidatura decole nas pesquisas. No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, e o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) saíram em defesa da candidatura de Alckmin nas redes sociais. “Entre todos os aspirantes declarados, insinuados ou pressentidos a representar o centro reformista na eleição, Geraldo Alckmin é o que tem maior densidade eleitoral”, escreveu o ministro.

O governador também minimizou as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em entrevista ao Estado no início deste mês, disse que Alckmin ainda precisa provar ser capaz de aglutinar o centro. “Fernando Henrique foi mal interpretado. O que ele falou é que é preciso unir o centro”, afirmou.

Economia. Os temas centrais do discurso tucano foram apresentados por Alckmin à imprensa na sede do partido. “Você tem uma questão central que é emprego e renda. Este é o desafio: como fazer o País ter um crescimento sustentável? E aí a questão fiscal é central. O que levou a esse quadro de 13 milhões de desempregados foi o absoluto descontrole fiscal”, disse. “O mundo que cresce tem política fiscal dura. (Minha proposta) será de política monetária com juro baixo e câmbio flutuante.”

O economista e ex-presidente do Banco Central Persio Arida é um dos nomes cotados para ser anunciado como coordenador da equipe econômica. Apesar de indicar que já definiu um nome para o posto, o governador de São Paulo explicou que ainda falta “conversar com a noiva”. “Na semana que vamos anunciar a noiva”, brincou. Em seguida, ele foi questionado sobre outro nome ligado ao partido, o também ex-presidente do BC Armínio Fraga. “Sou o maior fã, mas vamos deixar para a semana que vem.”

Arida é considerado um dos pais do Plano Real. Em novembro de 2016, ele deixou a presidência do Conselho de Administração do Banco BTG Pactual e do BTG Pactual Participations. Recentemente, ele assinou um “manifesto público”, com outros economistas, em defesa da posição do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), então presidente interino da sigla, de entregar cargos do governo Temer.

Posse. Outro compromisso que estava previsto na agenda do tucano era posse da nova ministra do Trabalho, Cristiane Brasil (PTB-RJ), que acabou sendo suspensa pela Justiça. Seria uma sinalização ao pai de Cristiane, Roberto Jefferson, presidente do PTB. “Tenho grande apreço por ele”, afirmou.

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