Alckmin e Marta trocam farpas por conta da CSS

Tucano faz ironia, dizendo que ela alega se arrepender de taxas que criou, mas apóia nova contribuição; petista rebate que ?saúde precisa de auxílio?

Clarissa Oliveira e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2008 | 00h00

A aprovação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) - a nova CPMF - entrou ontem na pauta dos pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. De um lado, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), contrário ao imposto, fez questão de associá-la à principal adversária, a ex-ministra Marta Suplicy (PT). Marta, por sua vez, teve que fazer a defesa do tributo."A ex-prefeita disse que estava arrependida com as taxas que criou e com o aumento de imposto. Ela esqueceu de avisar o PT, que ontem (anteontem) acabou de aprovar mais um imposto para o povo brasileiro pagar", provocou o tucano, em entrevista a Rádio CBN, ironizando o fato de Marta ter dito que se arrepende de ter criado taxas quando era prefeita (o que lhe rendeu o apelido de "Martaxa"), sendo que seu partido fez o contrário na esfera federal. "Acho que a saúde precisa de auxílio. Será que ele nunca se arrependeu de nada? Nem do metrô?", devolveu a petista. Usando o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), como exemplo, ela disse que várias administrações estaduais foram favoráveis à cobrança. "Que eu saiba, o governador Serra e governadores de outros partidos apoiaram porque sabem da condição da saúde."Marta não poupou críticas indiretas à gestão de Alckmin no governo estadual, assim como a do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), que tentará a reeleição. Nos dois casos, afirmou, "faltou planejamento". Além disso, ressaltou a petista, a atual gestão pôs fim a diversos programas sociais criados em seu governo. "Vi maldades sendo feitas em relação à pobreza", afirmou, citando como exemplo restrições ao uso do bilhete único.Depois de andar de ônibus anteontem, Marta dessa vez fez uma viagem de metrô. Além disso, participou de dois fóruns com entidades sociais, um na zona sul e outro na zona leste.?JÁ EM CAMPANHA??A presença da petista no metrô surpreendeu os passageiros. "Já em campanha, Marta?", perguntou uma senhora que percorria o trajeto entre a estação Tatuapé e a Praça da Sé. Sempre com o cuidado de não pedir votos para não infringir a legislação eleitoral, ela respondeu gentilmente que a campanha só é permitida por lei a partir do dia 6 de julho. "Estou fazendo uma reapropriação da cidade, estou apenas escutando."Até agora isolada nas negociações de alianças para a eleição, Marta fez ontem um apelo pela adesão do chamado bloquinho de esquerda no Congresso à sua candidatura. A petista, que tentou sem sucesso atrair siglas como o PMDB e o PR, afirmou que ainda vê chances de um acordo com PSB, PC do B, PDT e PRB. "O apoio do bloquinho seria bastante importante. Espero que consigamos o apoio do PC do B, ou do PSB, ou do PDT, ou dos três juntos."Questionada se estaria disposta a procurar pessoalmente lideranças do bloquinho, Marta afirmou que deixará o assunto para o partido. "Acho que não compete a mim. Quando o partido tiver uma resolução, aí sim acho adequado sentar com o candidato escolhido a vice e começar a pensar como vamos trabalhar juntos." FRASESGeraldo AlckminPré-candidato do PSDB"Ela esqueceu de avisar o PT, que acabou de aprovar mais um imposto para o povo pagar"Marta SuplicyPré-candidata do PT "Estou fazendo uma reapropriação da cidade, estou apenas escutando"

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