Alckmin e FHC depõem no inquérito do mensalão

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (2001-2006 ), ambos do PSDB, prestaram depoimento, ontem, na Justiça Federal, em São Paulo, como testemunhas de defesa no processo do mensalão, suposto esquema de pagamento de propinas a deputados da base aliada do governo. Fernando Henrique foi convocado a pedido dos advogados dos ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Janene (PP-PR), dois dos 40 réus do mensalão. Alckmin depôs como testemunha de Jefferson, autor da denúncia sobre o escândalo que abalou o Congresso.Os depoimentos ocorreram a portas fechadas, na 2ª Vara Criminal Federal, em cumprimento à carta de ordem expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita o processo. O advogado Luiz Francisco Correa Barbosa, que defende Jefferson, anotou que "o foco principal da inquirição das duas testemunhas" foi a reforma da Previdência."A acusação contra o meu cliente é que ele votou a favor da reforma mediante pagamentos em dinheiro", disse Barbosa. "O que foi possível historiar é que desde que Fernando Henrique era senador, depois ministro da Fazenda e presidente da República, desde essa época, a reforma da Previdência é uma questão dogmática e programática do partido de Roberto Jefferson. O PTB sempre defendeu a reforma da Previdência, é assim desde que o partido existe."O advogado de Jefferson disse que arrolou Fernando Henrique e Alckmin com o objetivo de afastar a acusação sobre suposto recebimento de dinheiro em troca da votação da reforma. "Votar junto com o governo era uma posição do programa do PTB. Não tem cabimento falar em exigência de vantagens porque já era entendimento do partido votar a favor da reforma. Jefferson foi líder do PTB na Câmara e presidente da Comissão de Seguridade, quando Alckmin foi indicado relator da Lei da Previdência Social."Segundo Barbosa, a denúncia da Procuradoria-Geral da República "é totalmente imprópria, sem base em prova nenhuma". Para ele, Jefferson deveria figurar como testemunha no processo, "jamais como réu".

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