Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Alckmin e Aécio vão medir forças na Câmara

Grupo ligado ao governador de São Paulo vai lançar nome para liderança do partido

Pedro Venceslau, ENVIADO ESPECIAL, e  Erich Decat, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2016 | 05h00

BELO HORIZONTE e BRASÍLIA - Deputados federais paulistas decidiram lançar na próxima semana um nome ligado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) para a disputa pela liderança da legenda na Câmara. Alckmin e o senador Aécio Neves (MG) medem forças internamente tendo como horizonte a eleição presidencial de 2018. Até o início do ano que vem, a briga será pelo controle de cargos estratégicos no Congresso e no comando da legenda.

Apesar de o PSDB sair das eleições municipais como o maior vitorioso, o senador mineiro, presidente nacional do partido, amargou uma nova derrota na terra natal – em Belo Horizonte, o candidato tucano João Leite foi derrotado no segundo turno por Alexandre Kalil (PHS). Já o governador paulista, que faturou com a vitória de João Doria (PSDB) em São Paulo no primeiro turno, consolidou o triunfo na segunda etapa de votação e aumentou seu capital político para 2018. 

A escolha do líder na Câmara, que ocorrerá na primeira semana de dezembro, é vista no partido como estratégica para a escolha do futuro presidenciável. A representação ‘alckimista’ conta com 14 deputados federais de uma bancada de 50.

O coordenador da eleição interna dos “alckmistas” é o deputado Ricardo Tripoli. Além dele, estão cotados os deputados Silvio Torres, secretário-geral do PSDB – que é o favorito – Vanderlei Macris e Eduardo Cury, todos afinados com o Palácio dos Bandeirantes. 

“O PSDB foi o grande vencedor do Brasil. Já dentro do PSDB o grande vencedor foi Geraldo Alckmin. Os resultados fortaleceram nacionalmente o governador”, disse Torres ao Estado

Aliados de Aécio, por sua vez, minimizam a derrota de João Leite em Belo Horizonte, e a influência de Alckmin em São Paulo e afirmam que o senador mineiro revitalizou sua liderança nacional nessas eleições municipais. “Aécio continua no páreo. Ele terá influência na sucessão da liderança da bancada. Geraldo Alckmin teve uma grande vitória, mas está preso na missão de governar São Paulo”, afirmou o deputado federal Domingos, presidente do PSDB mineiro. 

‘Desserviço’. Ao fazer um balanço sobre as eleições municipais, nesta segunda-feira, 31, em Brasília, Aécio evitou comparações com o governador de São Paulo e falar sobre a disputa interna para a escolha do candidato presidencial de 2018. “Felizmente as alternativas estão aí e são várias. Antecipar esse processo é um desserviço não apenas ao partido, mas àquilo que é essencial: construirmos a nossa agenda, que vai tirar o País da crise, que vai gerar esperança nos agentes econômicos”, disse Aécio.

Em Jaguariúna, no interior paulista, Alckmin também desconversou sobre as próximas eleições presidenciais. “2018 é outro momento. Agora foi encerrada a eleição municipal, que é uma eleição muito importante”, afirmou o governador. “Depois o futuro a Deus pertence”, completou Alckmin. / COLABOROU ISABELA PALHARES

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