Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Alckmin e Aécio agem por controle de diretórios

Para governador paulista, candidato do PSDB a prefeito só deve sair em 2016

Pedro Venceslau , O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2015 | 02h02

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves, dois dos principais líderes do PSDB, se uniram em uma tentativa de esvaziar o poder dos diretórios municipais da sigla na organização de consultas prévias a filiados e na montagem dos palanques para as eleições do ano que vem.

Depois de uma articulação que envolveu interlocutores dos dois tucanos, Aécio, presidente nacional do partido, determinou que a organização das campanhas nos municípios com mais de 100 mil habitantes em todo o País será "acompanhada" por uma comissão nomeada pela Executiva.

A medida atingirá diretamente os diretórios municipais do partido em São Paulo, Salvador e Recife, capitais onde os tucanos enfrentam divisões internas para a escolha de seus candidatos a prefeito em 2016.

Apesar do apoio de Alckmin, a decisão de Aécio de intervir nos diretórios municipais encontra resistência no PSDB. Em Recife, por exemplo, tucanos temem que seja imposta uma aliança com o PSB, que ocuparia a cabeça da chapa. Em Salvador, o PSDB local gostaria ter candidatura própria, mas Aécio está inclinado a apoiar a reeleição de ACM Neto (DEM).

Aécio e Alckmin têm interesses específicos, mas ambos concordam que o PSDB precisa estar com PSB, DEM e PPS em algumas cidades importantes já com vistas às eleições nacionais de 2018. O deputado paulista Silvio Torres, secretário-geral do PSDB e aliado de Alckmin foi o escolhido por Aécio para apresentar as propostas em reunião da Executiva na semana que vem. A regra também valerá para cidades menores, mas que tenham retransmissoras de TV e, portanto, horário eleitoral gratuito e obrigatório.

"Vamos acompanhar mais de perto a montagem das coligações. Entre as atribuições que têm a Executiva Nacional está a de disciplinar eventuais disputas de prévias", afirmou o diretor de gestão corporativa do PSDB, João Almeida.

O governador de São Paulo apoiou a ideia. Em contrapartida, Aécio chancelou a iniciativa do diretório estadual paulista de implodir o processo de antecipação das prévias na capital do Estado.

O senador comunicou pessoalmente ao presidente do diretório paulista do partido, Pedro Tobias, que apoiaria a iniciativa. E foi além. "Ele gostou tanto da ideia que resolveu fazer igual no Brasil inteiro. Os diretórios estaduais não podem ver o processo de camarote", disse Tobias, que vai participar da reunião da Executiva do partido, em Brasília, de formalização da iniciativa.

A articulação causou reações entre os tucanos do maior colégio eleitoral do País, e onde a sigla esta dividida. "Estão propondo uma intervenção branca no diretório municipal. O diretório estadual, usando o guarda chuva do nacional, tirou o poder de regular as prévias", criticou o vereador Mario Covas Neto, o Zuzinha, presidente do PSDB da cidade de São Paulo.

Favorito. Os aliados de Alckmin decidiram entrar em campo e frear a movimentação pela antecipação das prévias em São Paulo ao constatar que a pré-candidatura do vereador Andrea Matarazzo estava, nas palavras de um correligionário do governador, "encaixotando o cronograma" de 2016.

Primeiro nome a se apresentar como postulante a vaga de candidato, Matarazzo conseguiu o apoio da maioria dos diretórios zonais do PSDB na capital, dos vereadores da sigla e dos principais quadros tucanos de São Paulo. Entre seus apoiadores estão o senador José Serra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aloysio Nunes.

Opções. Zuzinha chegou a abrir inscrições para os interessados e determinou um prazo limite: 2 de outubro, um ano antes da eleição. Para ele, as prévias deveriam ocorrer já em novembro. "Quanto mais cedo, melhor", defendeu. Até o momento, dois tucanos oficializaram a intenção de concorrer: Matarazzo e o empresário João Doria Jr., presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide). Além deles, são apresentados como concorrentes de uma eventual prévia os deputados Ricardo Tripolli e Bruno Covas, o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez, e o secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes, que está no PMDB, mas deve mirar para o PSDB. A maioria dos virtuais pré-candidatos apoia a intervenção do diretório estadual sobre o municipal.

"Antes de qualquer outra coisa, temos, primeiro, que discutir a questão nacional", afirmou Tripolli, que defende a realização das prévias em janeiro próximo. O mais provável é que a disputa interna ocorra em março.

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