Alckmin diz torcer para que Temer termine mandato

Alckmin diz torcer para que Temer termine mandato

Julgamento de ação que pode levar à cassação da chapa Dima-Temer foi adiado nesta terça-feira

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 12h56

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta terça-feira "torcer" para que o presidente Michel Temer (PMDB) termine o mandato, ao final de 2018, e que não seja cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O julgamento da ação que pode levar à cassação da chapa Dima-Temer começou nesta manhã no plenário da Corte eleitoral, mas os ministros decidiram dar mais prazo para as alegações finais da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), sem definição de data para ser retomado.

Em entrevista após discursar na terceira edição do Summit Imobiliário, realizado pelo Grupo Estado e pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Alckmin disse que "torce" para que Temer termine o mandato. "Claro que eu torço para que o presidente chegue ao final do seu mandato. Eu acho que nós já tivemos tanta turbulência", disse o governador.

Alckmin afirmou que os poderes são independentes e que é preciso respeitar as decisões judiciais, mas que é preciso garantir a estabilidade. "Os poderes são independentes, as decisões devem respeitadas. Agora, o Brasil não pode parar." Ontem, ao receber Temer no Palácio dos Bandeirantes para um encontro com o casal real da Suécia, Alckmin declarou "apoio integral" às reformas do peemedebista no Congresso.

Na entrevista de hoje, o tucano também defendeu uma reforma política. Ele se posicionou contra qualquer anistia ao caixa dois, além de reforçar o posicionamento contrário ao voto em lista fechada. A lista preordenada deve ser apresentada na comissão especial criada na Câmara para discutir o tema. Além disso, conforme o Broadcast Político publicou, o relatório do deputado Vicente Cândido (PT-SP) na comissão vai abrir uma brecha para anistiar casos de caixa dois ao tipificar o crime.

"Você só faz votação em lista fechada quando tem partidos políticos consolidados, democratizados, com vida partidária. O que o Brasil tem é um arremedo de vida partidária com partidos fragmentados, fragilidades, então não tem nenhum sentido neste momento discussão de lista partidária", disse.

O governador defende uma cláusula de barreira e a proibição das coligações proporcionais, propostas que também tramitam no Congresso. Para Alckmin, é preciso implantar ainda o voto distrital, seja no sistema puro ou misto.

O tucano também defendeu o discurso do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), ao se apresentar como um "gestor", e não como um político. Para ele, a narrativa está correta. "É preciso destacar mais a ciência, a gestão, o bom gestor. Então essa é a mensagem que a população, como diria na televisão, captou. A mensagem de que é preciso ter preponderância nas decisões políticas e o interesse coletiva, a boa gestão", afirmou. Alckmin e Doria participaram do evento na manhã desta terça.

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