Alckmin diz ter 'absoluta confiança' em número dois do governo paulista

Segundo reportagem do 'Estado', Operação Fratelli revelou estreita ligação entre Edson Aparecido e o empreiteiro Olívio Scamatti, apontado como chefe de um esquema de fraudes em licitações

Isadora Peron, de O Estado de S. Paulo,

15 Abril 2013 | 18h05

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 15, ter "absoluta confiança" no número dois do seu governo, o secretário-chefe da Casa Civil, Edson Aparecido. Segundo reportagem do Estado publicada neste fim de semana, a Operação Fratelli da Polícia Federal revelou uma estreita ligação entre o secretário e Olívio Scamatti, dono de empreiteiras preso sob suspeita de chefiar o esquema de fraudes em licitações em prefeituras do interior paulista.

"Tenho absoluta confiança no trabalho do secretário Edson Aparecido. Conversei com ele (sobre o caso) e quero reiterar aqui a minha confiança", afirmou Alckmin. 

O secretário sentou ao lado de Alckmin em um evento que ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, nesta segunda, para lançar um plano de despoluição dos rios da região metropolitana de São Paulo. Aparecido disse estar tranquilo quanto à situação, pois não é alvo direto da investigação em curso.

Conforme revelado pelo Estado, ele apareceu nos grampos da operação porque mantinha contato telefônico com o empresário e com o seu ex-auxiliar, Osvaldo Ferreira Filho, que também foi preso na semana passada e é apontado pela PF como o elo entre as empreiteiras de Scamatti e as prefeituras. 

Segundo relatório dos investigadores, Aparecido fala de problemas em um asfaltamento mal feito na cidade de Auriflama, administrada na ocasião por um aliado do parlamentar, o prefeito José Jacinto Alves Filho, o Zé Prego. Aparecido pede ao empreiteiro que mande máquinas ao local para que o prefeito as fotografe e envie ao Ministério Público, a fim de mostrar que providências já estariam sendo tomadas. Ainda segundo os investigadores, Aparecido conclui na conversa gravada: "Se abrir processo, a região inteira contamina (sic)".

O secretário, que na época era deputado federal, disse que apenas tentou resolver um problema da cidade. "O prefeito me ligou para eu ajudar para que a obra fosse refeita. Então eu disse: 'Prefeito, faz um dossiê, tira fotografia, que eu vou ver". Num desses contatos (com Zé Prego), eu falei com ele e falei com o empresário que estava junto com ele. Não teve nada de irregular nisso, querer resolver um problema de uma obra que tinha que ser refeita."

Aparecido, no entanto, admite ter conhecido o empresário na cidade de Auriflama. "A interpretação de vocês (imprensa) é que você não pode falar com ninguém, não pode conhecer ninguém."

Doações. As duas empresas de Scamatti doaram para a campanha de Aparecido. A Demop, doou R$ 91,6 mil em 2006 e a Scamatti & Seller Infraestrutura Ltda., R$ 170 mil em 2010. 

O secretário voltou a afirmar nesta segunda-feira que todas as doações foram feitas dentro da lei. "Acho que do mesmo jeito que essas empresas me ajudaram em campanha, devem ter ajudado muito mais gente. Não existe nenhuma irregularidade nisso, muito pelo contrário: existe transparência, está lá registrado (no Tribunal Superior Eleitoral)."

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