Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Alckmin diz que 'não tem sentido' afastar secretários

'Não tivemos acesso aos documentos’, disse o governador de SP sobre as denúncias de que três dos seus auxiliares teriam relação com lobista responsável pelo pagamento de propinas para cartel

Carla Araújo , Agência Estado

21 de novembro de 2013 | 17h37

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou na tarde desta quinta-feira, 21, que não pretende afastar os secretários citados em depoimento do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer. "Não tem sentido afastar (os secretários), já que não tivemos acesso aos documentos", disse.

O Estado revelou com exclusividade nesta quinta-feira, 21, o conteúdo do relatório entregue ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em que Rheinheimer afirma dispor de "documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, (Geraldo) Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM".

O ex-diretor da empresa alemã diz também que o hoje secretário da Casa Civil do governo, deputado licenciado Edson Aparecido (PSDB), foi apontado pelo lobista Arthur Teixeira como recebedor de propina das multinacionais suspeitas de participar do cartel dos trens em São Paulo entre os anos de 1998 e 2008. O documento ainda faz menção ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), e aos secretários estaduais José Aníbal (Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico).

De acordo com o governador, ele ficou sabendo das denúncias pela imprensa e já solicitou ao presidente da Corregedoria Geral da Administração de São Paulo (CGA), Gustavo Ungaro, que entre em contato com o Cade para solicitar todas as informações. "Estamos solicitando provas. Nosso compromisso é com o rigor nas investigações. Nunca tivemos informação sobre esse depoimento e estamos requerendo judicialmente a documentação", reforçou.

Questionado se ele manteria os secretários no caso durante todo o processo de investigação, o governador disse que é preciso ter provas para punir, mas ressaltou: "Nosso compromisso é com a verdade, doa a quem doer." Alckmin disse ainda que o governo já deveria ter tido acesso à documentação, já que o relatório é anterior ao acordo de leniência feito entre executivos da Siemens e o Cade para dar mais informações sobre as ações do cartel de trens. "Já deveríamos ter tido acesso".

Alckmin deu as declarações após participar na tarde desta quinta-feira do anúncio da criação de uma linha de financiamento à indústria de panificação e confeitaria, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na Capital. Mais cedo, durante o lançamento do Bilhete Único Mensal, na sede da Prefeitura de São Paulo, ao lado do prefeito Fernando Haddad, o governador havia evitado falar sobre este tema.

 

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