Nelson Almeida/AFP
Nelson Almeida/AFP

Alckmin diz que 'não há razão' para ver perseguição política por parte de Janot

Governador, porém, desconversou sobre a possibilidade de nova denúncia contra o presidente: 'Não há qualquer informação'

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2017 | 11h29

RIBEIRÃO PRETO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 30, não ter "nenhuma razão" para achar que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atue com alguma forma de perseguição contra políticos em suas recentes denúncias. Nesta terça-feira, Janot foi alvo de críticas indiretas do presidente Michel Temer (PMDB), que deve ser alvo de uma nova denúncia do procurador, e foi diretamente atacado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), contra os quais fez uma série de denúncias.

"Não tem nenhuma razão para achar que isso ocorra. É preciso verificar o processo e analisar e, em principio, não (há perseguição)", disse Alckmin após cerimônia de entrega de veículos à Polícia Militar em Ribeirão Preto (SP). Sobre a nova denúncia de Janot contra Temer, o governador paulista desconversou: "não há qualquer informação e vamos aguardar", completou.

Defensor que o PSDB apoie as reformas que tramitam no Congresso independentemente do apoio formal ao governo Temer, Alckmin admitiu que a da Previdência corre o risco de ser aprovada apenas parcialmente, diante da base frágil para a provação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). "A Reforma a Previdência depende de quórum alto, mas é possível aprovar ao menos uma parte".

Para o governador paulista, a reforma mais urgente é a política, visando as eleições de 2018. Ele defendeu a aprovação da cláusula de barreira para frear o aumento de partidos políticos, o voto distrital, ou distrital misto, e limites para tornar a campanha mais barata. "Hoje tem uma notícia de que deve ser autorizada a criação do 36º partido político. É inadmissível. Tem de aprovar ( a reforma política) e nós defendemos as cláusulas de desempenho e barreira para ter menos partido, voto distrital ou distrital misto e campanha barata, sem gravações externas para acabar com a 'marquetagem'".

Alckmin afirmou também que o relacionamento com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) "é muito bom, assim como com todos os prefeitos do Estado de São Paulo". Da mesma forma que o governador, Doria é um dos pré-candidatos tucanos à presidência da República em 2018. O governador afirmou não estar em uma pré-campanha para presidente, disse "trabalhar para ajudar o País a sair da crise" e negou que Doria tenha sido preterido em um jantar realizado com prefeitos do ABC paulista, anteontem.

"A reunião foi só com prefeitos do ABC, eles têm consórcio com 8 municípios. O João Doria eu estive com ele no domingo tomando um café, então a reunião foi só com o ABC", destacou. 

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