Alckmin diz que denúncias não afetam credibilidade da polícia

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o episódio do Departamento de Narcóticos (Denarc),denunciado em reportagem de TV, não afeta a credibilidade da polícia civil em São Paulo. Segundo o governador, os policiais envolvidos já foram afastados e foi aberto inquérito para investigar o envolvimento dessas pessoas. "Não temos banda podre, tem mau policial. Se os envolvimentos deles forem confirmados, serão punidos exemplarmente", disse.Reportagem do programa "Brasil Urgente", da TV Bandeirantes, exibida ontem, denunciou esquema de corrupção policial no Denarc. O principal suspeito é o delegado Fábio Dal Mas, que participou da prisão do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima,o "Andinho". Também foram apontados na matéria o investigador João Saladino Júnior e o agente da policia federal Paulo Endo. O esquema foi denunciado pelo doleiro Luis Francisco Caselli.Os três policiais são suspeitos de corrupção, extorsão de dinheiro e facilitação de contrabando. Alckmin disse também que na próxima segunda ou terça-feira vai enviar para a Assembléia Legislativa paulista Projeto de Lei que visa encurtar o rito de defesa usado por policiais civis, a exemplo do que já ocorreu na polícia militar. Com a alteração do regime disciplinar, o número de recursos cairá de 4 para um e, com isso, o processo, que tem como objetivo o afastamento de maus policiais, deve durar de 30 a 60 dias. Hoje o processo pode se arrastar até quatro anos.O governador participou da cerimônia de posse do nova comandante geral da PM, Coronel Alberto Silveira Rodrigues. Ele assume no lugar do coronel Rui César Melo, que deve entrar para a reserva.ExecuçãoAlckmin classificou de "totalmente descabida" a declaração do vice-prefeito Hélio Bicudo (PT) de que a operação da Polícia Militar realizada na "Castelinho" teria sido uma execução e não um confronto entre polícia e bandidos. Ex-integrante da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da OEA, Bicudo contesta os laudos oficiais das mortes dos doze bandidos, membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).No dia 5 de março um ônibus com integrantes do PCC foi interceptado por um bloqueio montado pela Polícia Rodoviária no quilômetro 12 da Rodovia Senador José Ermírio de Moraes (SP-79), a Castelinho. Houve troca de tiros e 12 bandidos morreram. Segundo a polícia, eles pretendiam assaltar um avião pagador no aeroporto de Sorocaba. "O que houve foi um enfrentamento. Os laudos provam que os bandidos reagiram ao cerco policial, há resíduo nas mãos desses criminosos provando que eles usaram armas, que eles reagiram", disse Alckmin. O governador voltou a afirmar que a polícia agiu corretamente nesse episódio e que os bandidos, sempre que houver uma situação semelhante devem jogar as armas no chão. "Do contrário, a polícia vai enfrentar", disse.

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