Alckmin define medidas para reduzir despesas

De olho nos gastos públicos, o governo paulista vai tomar uma série de medidas para reduzir despesas sem cortar investimentos. O assunto foi discutido durante a primeira parte da reunião que o governador Geraldo Alckmin faz hoje com seu secretariado no Horto Florestal, na zona norte da capital paulista. Segundo o governador, a arrecadação no Estado vem caindo e, em junho, a receita já apresenta redução de 5%. "Não queremos cortar investimentos, senão, vamos reforçar o círculo vicioso e aprofundar a recessão. Hoje, a recessão está calcada nos juros altos e no baixo investimento público, que colabora para isso. Nós queremos sair deste círculo e pisar no acelerador sem gastar o que não temos", afirmou Alckmin.Entre as medidas a serem adotadas pelo governo paulista, está a compra de materiais e gasto com serviços por meio de leilões e pregões eletrônicos. Outra, segundo Alckmin, é reduzir em 50% os gastos com alugueis de prédios públicos ocupados por secretarias e órgãos do governo. De acordo com ele, o governo paulista gasta R$70 milhões por ano com aluguéis em todo o Estado. "Estamos comprando prédios, aumentado patrimônio e gastando menos da metade", comentou ele. Alckmin explicou que secretarias que atualmente funcionam nas avenidas Paulista, Faria Lima, Nove de Julho e Rua Augusta, por exemplo, serão transferidas para região central de São Paulo.Outra decisão tomada pelo governo na reunião de hoje, diz respeito à diminuição dos gastos com água, luz e telefonia. O governador disse que as despesas dessas três áreas são altíssimas e que por isso, no caso de energia e da água, serão feitas as trocas de lâmpadas e de válvulas hidráulicas. "Vamos fazer trocas de materiais para que possamos gastar menos. Isso vai impulsionar a construção civil. No caso da telefonia, vamos fazer negociações com as empresas prestadoras de serviços", afirmou, sem citar o valor que o Estado gasta nessas áreas.Na segunda parte da reunião, agora à tarde, estão sendo discutidas questões ligadas à área social. O encontro está previsto para terminar no final do dia.OposiçãoAlckmin disse acreditar que a troca de farpas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não vai atrapalhar as relações entre PT e PSDB. Mas ressaltou que não é hora para isso. "Acho que não vai atrapalhar. A gente não deve alimentar isso porque em briga de político, quem perde é o povo", afirmou.O governador disse, porém, que o PT não deve levar crítica como ofensa. "Isso é próprio do regime democrático." Questionado se considerava descabida a reação de Lula, Alckmin respondeu: "Quem sou eu para criticar presidente ou ex-presidente. Não vamos colaborar para essa polêmica, ainda mais neste momento das reformas, que estão tão bem encaminhadas porque, de um lado, o governo quer, e, do outro, a oposição entende que é necessária e vai votar. Nunca tivemos condições tão favoráveis para que elas andem."O governador observou que o Brasil tem no momento um quadro difícil, já que a atividade econômica perdeu muita força e o País corre risco de entrar em recessão forte. "A reforma não vai resolver tudo, mas ela ajuda a ter notícia boa, poder crescer e mais rapidamente poder reduzir os juros. Então, não vamos alimentar polêmica", afirmou. Alckmin disse também que a oposição que o PSDB faz é a que ele gostaria de ter. "Eu queria ter a oposição que o PSDB faz ao governo do PT. Essa é a oposição dos meus sonhos, extremamente cautelosa na crítica, respeitosa, mostrando alternativas e ainda votando a favor nas coisas mais importantes", finalizou.

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