Alckmin defende liberação de recursos federais para segurança

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse nesta terça-feira que a melhor ajuda que o governo federal pode dar para resolver a crise de segurança em São Paulo e em outros Estados é liberar os recursos do fundo penitenciário e do fundo de segurança pública. Segundo ele, até agora, nem sequer os convênios para a liberação dos recursos foram assinados. "Isso aí é uma guerra. Temos que vencer batalhas todos os dias. Às vezes, a gente perde uma batalha", afirmou. A seu ver, a atitude do crime organizado em São Paulo foi uma resposta à ação do governo, que era necessária. Segundo ele, o governo "pôs o dedo na ferida" quando identificou 745 presos, ligados ao crime organizado e os colocou no isolamento. "É só não amedrontar e ir para cima. Tanto que a rebelião acabou. O enfrentamento é duríssimo mas se não partirmos para cima, eles vão virar as Farc", afirmou o pré-candidato, referindo-se às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.Alckmin disse que não vê problema o governo de São Paulo aceitar eventualmente a oferta de tropas federais para ajudar a combater o crime organizado. Insistiu, porém, que a melhor ajuda que o governo pode dar é o repasse de recursos que estão contingenciados.Alckmin está reunido com o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, depois de uma reunião com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e com o relator do pacote de segurança, senador Demóstenes Torres (PFL-GO).Segundo Alckmin, a reunião com Antonio Carlos e Torres foi "técnica". Com a experiência de quem governou São Paulo por cerca de oito anos e enfrentou 29 rebeliões simultâneas em presídios paulistas, Alckmin foi levar suas sugestões para serem incorporadas ao pacote de segurança que a CCJ deve votar em caráter terminativo e enviar imediatamente à Câmara. Ele insistiu que não coloca a questão de segurança como de natureza eleitoral ou estadual. "Prioridade sem orçamento é discurso", disse ele, ao lembrar que em 1996 São Paulo destinava R$ 2 bilhões para a Segurança Pública e em 2005 investiu R$ 7,5 bilhões no setor. Os recursos para a administração penitenciária saltaram de R$ 200 milhões em 1996 para R$ 1,3 bilhão em 2005.O ex-governador destacou ainda que São Paulo optou por muitos anos por um trabalho intenso para colocar os criminosos na cadeia. "Temos 22% da população brasileira e 44% da população carcerária do país", disse, frisando que são mais de 140 mil presos e 140 penitenciária só no estado de São Paulo. Ele destacou que o efeito deste trabalho foi uma drástica redução na criminalidade. De acordo com suas informações, o número de homicídios, que em 1999 era de 5,4 mil, caiu em 2005 para 2,5 mil na cidade de São Paulo. No estado, foram 12,700 homicídios em 1996, número que caiu para 7 mil em 2005.

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