Alckmin defende Alencar e debate sobre juros

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) defendeu hoje o debate sobre a taxa de juros no Brasil, que tem contraposto as opiniões do vice-presidente José Alencar com as do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "Há sim que se discutir essa questão, não vejo razão para o tema ser proibido porque é o que mais interessa país", disse Alckmin, ao comentar o mal-estar que a atitude de Alencar tem causado no governo federal. "Hoje, o desafio brasileiro é o crescimento econômico."Segundo Alckmin, esse debate repete a discussão travada na gestão de Fernando Henrique Cardoso entre monetaristas e desenvolvimentistas. "Não há nenhuma razão para não querer ouvir vozes dissonantes porque nessa matéria ninguém é dono da verdade", disse Alckmin, lembrando que, além de Alencar, especialistas também divergem da decisão do BC. "Por que não aprofundar o debate? A discussão é legítima e não pode ser colocada como sendo uma opinião contra fulano ou beltrano. Quem sofre as conseqüências da retração da atividade econômica é a sociedade."Apesar de concordar com Alencar, que saiu em defesa da redução da taxa de juros, Alckmin admitiu que Alencar está em uma situação delicada. "Entendo que o vice-presidente, estando em exercício da Presidência da República, como ocorreu, realmente precisa ter uma certo cuidado para tratar dessa questão", disse Alckmin. "Mas, cada um tem um estilo, uma maneira de atuação." Ao contrário do que disse o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, Alckmin não acredita que, ao defender a queda dos juros, Alencar esteja agindo em causa própria, como empresário. "Certamente ele (Alencar) não está falando como empresário, mas como cidadão brasileiro e na condição de vice-presidente da República que foi eleito", disse Alckmin. O governador soube dizer se a situação seria diferente caso o vice não fosse do PL nem um empresário, mas sim um nome do PT ou de um partido com mais afinidade política. "Difícil avaliar essas coisas. Agora, essa questões internas do governo cabe ao próprio governo avaliá-las", disse, referindo-se a uma possível crise política por conta das declarações de Alencar. O governador voltou a afirmar a decisão da redução da taxa Selic é política e que já deveria ter ocorrido na última reunião do Copom, em maio. "Não podemos perder uma oportunidade, um minuto." Segundo Alckmin, as condições para que se possa ter uma atividade econômica mais forte, com a redução da taxa de juros, estão colocadas porque não há inflação de demanda. "A demanda está reprimida, o risco da questão inflacionária já foi superado e não tem nenhuma pressão de demanda, acho que há embasamento técnico que permita abaixar os juros."

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