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Alckmin defende abertura de impeachment mas diz que não vai 'às ruas' defendê-lo

Governador de São Paulo, do PSDB, afirmou não ser seu papel cobrar por impedimento de Dilma, mas disse ser a favor de que Câmara autorize processo contra a presidente

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2015 | 18h20

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 9, que não é papel de governadores nem de prefeitos "sair para rua para fazer impeachment", mas defendeu a abertura do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT). Adotando uma postura cautelosa desde que foram iniciadas as primeiras discussões sobre um eventual impeachment, Alckmin também voltou a afirmar que o processo "não é um golpe", mas que seria uma "questão traumática" para o País".

"Não é tarefa de governador de Estado e prefeito, que têm tarefa de governo, sair para a rua para fazer impeachment. Essa é uma tarefa do Parlamento", afirmou.

Questionado sobre sua posição em relação a um eventual impedimento de Dilma, o governador de São Paulo afirmou: "Eu defendo a abertura do processo". "Eu não sou professor de direito constitucional para ficar analisando minúcia da questão jurídica", completou em seguida, fazendo referência à decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a instalação da Comissão Especial da Câmara que decidirá se o processo contra Dilma terá continuidade ou será arquivado.

O governo federal perdeu a primeira batalha do processo de impeachment na Câmara, nessa terça-feira, 8, após a chapa da oposição vencer por 272 votos a 199, em uma sessão marcada por empurrões, gritos, xingamentos e até urnas quebradas pelos deputados. À noite, o ministro do STF respondeu a recurso do PC do B, partido da base aliada a Dilma, e decidiu suspender instalação do colegiado até o dia 16, quando a Corte vai analisar o caso.

"Eu tenho deixado claríssimo que eu ouço muitas vezes muita gente falar em legalidade, rede da legalidade. Impeachment não é golpe, impeachment está previsto na Constituição brasileira - e a Constituição não é golpista", afirmou Alckmin. "Agora, não é tarefa de governador de Estado, de prefeito, que têm tarefa de governo, de está saindo para rua para fazer impeachment. Essa é uma tarefa do Parlamento, que é onde há o contraditório, que é quem vai decidir." 

A presidente Dilma Rousseff recebeu na terça apoio de 16 dos 27 governadores contra o pedido de impeachment da petista. "Os governadores têm total liberdade de expor as suas posições", disse Alckmin.

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