Alckmin condena proposta de coalizão do governo

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), candidato derrotado à Presidência da República, criticou a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de formar um governo de coalizão em seu segundo mandato. Em entrevista concedida à reportagem da Rádio CBN, Alckmin opinou que, na verdade, está sendo costurada apenas uma divisão de cargos, sem um projeto de desenvolvimento para o País."O que a gente verifica é que não há um projeto, o que está havendo é uma divisão de cargos", afirmou o tucano. "Qual é o projeto sobre o qual está se fazendo essa aliança?", questionou. "Eu vejo isso com muito cuidado". De acordo com o ex-governador, "o governo está querendo montar maioria não para aprovar reformas, mas para empurrar para frente a CPMF e a DRU", considerou, referindo-se à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira e à Desvinculação de Recursos da União que, segundo ele, "representam R$ 30 bilhões para o governo federal". Alckmin destacou ainda o papel do PSDB na oposição. Ele garantiu que o partido vai votar as reformas que forem de interesse do País. "Na democracia, quem ganha tem que governar e governar bem. Quem perde, vai para a oposição. É tão patriótico ser governo quanto ser oposição. A oposição fiscaliza, critica o que está errado, propõe alternativas e se prepara para ganhar a próxima eleição. Essa é a lógica do processo democrático", analisou.Em contrapartida, o ex-governador negou a necessidade de uma reformulação no PSDB. Segundo ele, o que o partido precisa é de mais solidariedade. "A discussão programática é sempre necessária porque o mundo em que nós vivemos é muito rápido, as mudanças são muito velozes", avaliou. "Porém, acho que a questão programática não é essencial".Indagado se acredita que é possível fazer o Brasil crescer a uma taxa de 5% do PIB, como propõe o governo Lula, o tucano respondeu que isso vai depender muito do cenário internacional. Ele entende que o País pode crescer muito mais do que isso desde que aconteçam as reformas tributária, política e trabalhista.

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