Alckmin condena pressão de kassabistas, que vêem desespero

O pré-candidato do PSDB à prefeiturade São Paulo, Geraldo Alckmin, condenou na quinta-feirapressões que teriam sido exercidas sobre delegados do partidopelo grupo dissidente que registrou chapa encabeçada pelo atualprefeito Gilberto Kassab, do DEM. A ala kassabista refuta asacusações e diz que há tentativa de desqualificá-los. "Eu acho que essas coisas já deveriam estar abolidas dapolítica brasileira. Não tem cabimento numa cidade mundial comoSão Paulo pressão sobre gente simples, humilde, delegados,constrangimentos", disse Alckmin a jornalistas no ato de adesãodo PHS (Partido Humanista da Solidariedade) a sua candidatura. A proposta de uma chapa em que o PSDB apoiaria Kassab paraenfrentar Alckmin na convenção marcada para o próximo domingoteve a assinatura de 424 dos 1.344 delegados do partido e apoiode 11 dos 12 vereadores tucanos. Com número suficiente deassinaturas, a chapa foi registrada pelo diretório municipal. Perguntado se foi procurado por algum delegado que tenhasido pressionado a aderir à chapa de Kassab, Alckmin nãorespondeu diretamente. Disse apenas que "muita gente relatoucoisa muito triste". Alckmin foi mais incisivo sobre as denúncias de que tucanosque ocupam cargos na prefeitura estariam sendo pressionados avotar na chapa que prevê Kassab como candidato. "Na prefeitura,todas as informações são nesse sentido", afirmou. O ex-governador demonstrou otimismo para a convenção dopartido, que vai escolher o candidato entre as duas chapasregistradas. "Esta disputa me faz o melhor candidato. As coisas de mãobeijada não têm a mesma força. Na segunda-feira, o PSDB terácandidato próprio." O deputado federal Silvio Torres, um dos tucanos maispróximos de Alckmin, também apontou pressões sobre osdelegados. "É uma falta de respeito que um partido (o DEM) interfiraem outro. Há ação do prefeito para convencer delegados nossos",queixou-se. DESESPERO Gilberto Natalini, vereador tucano que encabeçou omovimento pela chapa kassabista, disse à Reuters que asacusações são vagas e não indicam quem foi pressionado e quempressionou. "O que estou achando é que existe desespero deles porqueestão sentindo que vão perder a convenção. Estão tentandodesqualificar nossa tese", afirmou. O vereador revidou a acusação ao denunciar que osalckmistas estariam telefonando a delegados para pressioná-losa retirar as assinaturas da chapa kassabista, o que, segundoNatalini, está fora do prazo legal, encerrado na terça-feira. O diretório municipal, no entanto, não deixou claro sehaverá punições após a convenção. "Há uma previsão legal concedida à executiva nacional dopartido de não acolher uma candidatura que não seja do própriopartido. Esta prerrogativa existe", afirmou o presidente dodiretório, José Henrique Reis Lobo. Ressalvando que Alckmin é o candidato oficial do partido eque a outra chapa é integrada por dissidentes, Lobo disse queespera que a prerrogativa não seja usada uma vez que houve oregistro das chapas e o resultado que sair da convenção deveser respeitado. O presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra,no entanto, está em São Paulo para encontros com kassabistas. Além do PSDB e do PHS, Alckmin tem o apoio do PTB e deoutros dois partidos pequenos, PSDC e PSL, que lhe garantemcerca de 6 minutos em cada bloco da propaganda eleitoralgratuita, que começa em agosto. O PHS descartou a candidaturada ex-tucana Zulaiê Cobra, que aderiu à candidatura Kassab,oficializada pelo Democratas no sábado passado.(Reportagem de Carmen Munari)

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