Alckmin cobra do PSDB decisão sobre candidatura tucana

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), desabafou nesta quarta-feira que a demora do PSDB em definir seu candidato à Presidência da República está prejudicando o partido. O governador disse que a decisão precisa ser anunciada até o início de março, destacando que não vê mais motivos para postergação. "Acho que não deve passar do começo de março. Não há mais razão para se postergar", disse. "Isso traz prejuízo não aos possíveis candidatos, traz prejuízo ao partido. É o partido que se prejudica com essa indefinição".Alckmin, que participa na tarde de hoje de um encontro do PSDB para discutir a política econômica, disse que qualquer avanço nas conversas sobre a corrida presidencial não ocorrerá hoje. "Hoje é um encontro só sobre política econômica, política monetária e como se reduz a taxa de juros", disse. "O amadurecimento das conversas políticas não vai ocorrer hoje, é óbvio". O governador descartou inclusive a possibilidade de ser antecipada para hoje a conversa que deverá ocorrer entre ele, o prefeito de São Paulo, José Serra, e a cúpula tucana para avaliar a questão presidencial. Segundo ele, a reunião não foi sequer agendada, mas poderá ocorrer nos próximos dias.A expectativa era de que o prefeito também comparecesse à inauguração da USP-Leste, mas Serra cancelou sua presença na última hora, em comunicado enviado à imprensa na manhã de hoje. Alckmin afirmou que não havia sido informado sobre a agenda do prefeito, mas defendeu que não havia motivos para o seu comparecimento. "Aqui não tem nada de Prefeitura", afirmou. "Geralmente, o prefeito vai quando você tem algo que tem Prefeitura e Estado, é como o governador inaugurar uma obra da Prefeitura". Outra presença que chegou a ser cogitada na inauguração era a do presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati. Alckmin negou a informação, destacando que faz uma separação clara entre os assuntos do PSDB e do governo do Estado. "Nós fazemos uma distinção muito clara entre partido e governo, entre público e privado".Na entrevista que concedeu aos jornalistas, Alckmin aproveitou para antecipar as discussões que deverão ocorrer na tarde de hoje, ressaltando a necessidade de reduzir a taxa de juros, melhorar o nível do câmbio e reduzir os gastos públicos. "O Brasil gasta muito mal. Isto está no centro dos nossos problemas". Segundo o governador, as discussões de hoje devem ajudar o PSDB a criar um projeto de desenvolvimento nacional.Alckmin inaugurou a segunda fase das obras da USP-Leste sob protestos de estudantes contra o veto dado pelo governador ao aumento do repasse de ICMS para universidade estaduais de 9,57% da arrecadação para 10%. Apesar do clima de desconforto, o governador disse "levar na esportiva" este tipo de crítica, e defendeu em seu discurso que a cerimônia "seria chata" se não fosse pelo debate democrático conduzido pelos estudantes.PesquisaO governador disse que ainda não teve a oportunidade de ver os resultados preliminares da pesquisa interna feita pelo PSDB para escolher seu candidato à presidência da República, apesar de a imprensa já ter antecipado dados sobre o levantamento. Alckmin negou que tive acesso aos números, que comprovariam a maior capacidade do prefeito de São Paulo, José Serra, de enfrentar o presidente Lula na corrida presidencial.Para ele, pesquisas eleitorais não são decisivas em um processo como esse. "Pesquisa é sempre um referencial, ela ajuda. Mas ela não é decisória."O governador aproveitou para comentar a escolha do deputado Jutahy Júnior como novo líder do PSDB na Câmara. Apesar de se tratar de um dos principais defensores de uma eventual candidatura de Serra, Alckmin defendeu que Jutahy reúne as condições necessárias para fazer um bom mandato na liderança tucana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.