Alckmin censura movimento pela CPI do Rodoanel

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou nesta sexta-feira os deputados do PT, que iniciaram nesta semana uma campanha de mobilização social no interior do Estado para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) com o objetivo de investigar os valores das obras do Rodoanel. Ele afirmou que o governo deu todas as explicações sobre a construção da obra."Não vejo problemas nisso (CPI), mas, se querem discutir fiscalização, eu queria que incluíssem nela o lixo do PT de São Paulo", disse Alckmin."O governador está sendo incoerente, pois a Câmara já apura na CPI do Lixo, com apoio do PT, enquanto ele tenta bloquear a do Rodoanel, como fez na da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano)", rebateu o líder do PT na Assembléia Legislativa, Carlinhos Almeida.Alckmin disse que o Rodoanel é uma construção importante para a Região Metropolitana de São Paulo e que o acréscimo de 70% no valor se deve à complexidade da obra, pois muitos detalhes não estavam previstos na licitação, como túneis, novas pistas agregadas e alargamento de ponte para aumento de estrada, que facilitará o tráfego."Quando a obra foi licitada pela Dersa (empresa Desenvolvimento Rodoviário SA), o orçamento era de R$ 600 milhões. Depois de pronta, em 2002, a obra vai custar R$ 575 milhões, portanto R$ 25 milhões mais barata do que a previsão de 1998", comentou o governador, acrescentando que cada quilômetro custará cerca de R$ 11,5 milhões.Carlinhos Almeida não concordou com a explicação e afirmou que só poderia haver 25% de aditamento ao custo do Rodoanel."O lote 2 teve acréscimo de 126%", disse o deputado petista. Ele questionou ainda as desapropriações (que passaram de R$ 300 milhões, de uma previsão de R$ 135 milhões) e a participação da Ductor, empresa que foi do secretário de Transportes do Estado, Michael Paul Zeitlin."Ele (Zeitlin) não é diretor de nenhuma empresa que controla a obra, mas foi no passado, como o Covas (ex-governador Mário Covas), engenheiro da Ductor, e saiu de lá", contra-atacou Alckmin.O governador disse ainda que o Estado fez seis concorrências públicas do Rodoanel, enquanto a Prefeitura contratou mais de R$ 500 milhões para executar a limpeza pública sem licitação.Segundo Carlinhos Almeida, a prefeita Marta Suplicy (PT) teve de realizar o contrato de emergência do lixo, como é previsto pela legislação. A mobilização do PT pela CPI do Rodoanel seguirá pelo interior. Na terça-feira, a campanha será em Osasco (SP).

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