Andre Penner/AP Photo
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Alckmin: ‘Bolsonarismo é uma mentira: onde está a agenda desse governo?’

Presidenciável tucano derrotado em 2018, ex-governador compara Bolsonaro ao PT e nega que PSDB é pressionado para dar guinada à direita

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 18h41
Atualizado 31 de maio de 2019 | 20h56

BRASÍLIA – Após uma série de discursos em que o presidente Jair Bolsonaro foi poupado, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin encerrou a convenção nacional do partido atacando o governo e classificando o bolsonarismo como uma “mentira”, comparando o posicionamento de Bolsonaro ao PT. Ele manifestou solidariedade ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), alvo de ataques em manifestações pró-governo.

“Esses oportunistas políticos por 30 anos, numa deslealdade, vêm atacar a vida dos homens públicos jogando a sociedade contra suas instituições. Não temos duas verdades, a extrema-direita e a extrema-esquerda. Temos duas grandes mentiras, o petismo e o bolsonarismo”, discursou o tucano, que entregou a presidência do partido ao ex-deputado Bruno Araújo. “Onde está a agenda de competitividade desse governo? Vamos ter coragem de criticar, pôr o dedo na ferida.”

Após a convenção, em coletiva de imprensa, Alckmin disse que “está faltando governo” no País. Para ele, o governo não tem propostas para criação de empregos e, na reforma tributária, está querendo recriar a CPMF. Também criticou o que apontou como falta de política para combater o tráfico de armas e drogas. “Liberar arma é tudo que nós não precisamos. Vejo uma grande dificuldade na agenda do governo e uma criação de crises, uma agenda radical totalmente ultrapassada em um mundo onde as ideologias estão diminuindo as distâncias.”

O ex-governador negou que o PSDB esteja sendo pressionado a dar uma guinada à direita e disse não acreditar que a nova direção do partido se alinhe à pauta de costumes do governo Bolsonaro.

O novo presidente da legenda, Bruno Araújo, e o governo de São Paulo, João Doria, afastaram a tentativa de Alckmin de atacar o governo afirmando que esse não é um posicionamento partidário. “São opiniões próprias do governador que eu respeito, não são as opiniões do PSDB como um todo. Não temos esse alinhamento crítico, temos uma alinhamento de buscar as melhores alternativas para o País no plano econômico e no plano social e foco na aprovação da reforma da Previdência”, disse Doria.

Já Bruno Araújo declarou que o PSDB vai ter uma “posição contributiva de independência e sempre, quando houver, de discordância, se opondo aos temas do governo.”

Presente na convenção, Maia faz aceno ao PSDB para 2022

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez um forte aceno ao PSDB para as eleições presidenciais de 2022. Durante convenção nacional do PSDB, o deputado fluminense afirmou que deseja que as duas siglas estejam “fortes em um projeto único de geração de emprego e renda” daqui a três anos.

Após o evento, ele negou que estivesse falando em fusão entre os dois partidos. “Isso envolve diálogo, como a gente vem fazendo, temos muitas convergência”. Ele defendeu que PSDB e DEM estejam juntos para primeiro reconstruir o País e depois em um projeto comum com outros partidos para o futuro.

O novo presidente do PSDB, Bruno Araújo, disse que é cedo para falar sobre eleição, mas que a legenda tem identidade com o DEM e que os dois estão sempre em constante diálogo. Ele também incluiu o MDB na possibilidade de uma conversa para a próxima eleição presidencial.

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