Alckmin bate em Kassab e os dois atacam Marta em debate

No primeiro debate entre oscandidatos à prefeitura de São Paulo na campanha eleitoraldeste ano, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) partiu para oataque e criticou a gestão do prefeito da cidade, GilbertoKassab (DEM), que revidou. Os dois, que disputam o apoio do PSDB, também não pouparama ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que procurou aliar sua imagemao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de pregarparceria com o governador paulista José Serra (PSDB). Realizado pela TV Bandeirantes na quinta-feira à noite, odebate de mais de duas horas reuniu oito dos onze candidatosque disputam a vaga de prefeito na cidade. O grande número deadversários tornou o programa arrastado e levou candidatos apassar largo tempo sem se manifestar. "A cidade de São Paulo está escura. Nós temos ainda aquelaslâmpadas antigas, aquelas luminárias de mercúrio", afirmouAlckmin, empatado na liderança das intenções de voto com Marta.Disse ainda que uma cidade "feéricamente" iluminada ajuda acombater a violência e a segurança pública. Kassab, terceiro colocado nas pesquisas, não perdoou eculpou a privatização na área de energia elétrica realizada porAlckmin no governo do Estado. "Foi no seu governo, quandopraticamente não colocou (na venda) a obrigação de trocar aslâmpadas". O setor de saúde, a maior reclamação do paulistano segundopesquisa recente, foi tão ou mais debatido do que o trânsito.Para Alckmin, "é preciso recuperar o atendimento primário, asUBS (Unidades Básicas de Saúde, os postos)", em nova crítica aKassab. Alckmin também mostrou munição contra Marta. "Deu muitotrabalho recuperar a prefeitura", disse, referindo-se aoperíodo de José Serra, que recebeu a prefeitura de Marta em2004 e dois anos depois saiu para disputar o governo do Estado,quando Kassab, seu vice, assumiu a gestão. O tucano afirmou quea ex-prefeita teve problemas para pagar a dívida pública dacidade. Afirmando serem "mentiras e inverdades", Marta disse quedeixou recursos em caixa e não entende porque a administraçãoseguinte deixou de pagar os fornecedores. Em entrevista após odebate, Alckmin disse que vai divulgar documentos que provam osproblemas nas contas do município. Em uma das muitas declarações sobre as soluções para otrânsito, Kassab atacou Marta ao afirmar que os corredores deônibus construídos em sua gestão não são eficientes. "Sãocorredores sem área para ultrapassagem. Não basta isolar umafaixa das avenidas", afirmou, admitindo que ainda há muito afazer nesta área. Marta disse que, se eleita, ampliará oscorredores. Candidatos com menor pontuação nas pesquisas de intenção devoto, Soninha Francine (PPS) e Ivan Valente (PSOL) criticaram aprioridade dada ao automóvel. Enquanto Soninha defende acriação de ciclovias (ela foi de bicicleta ao debate), osocialista Valente diz que é preciso "atacar o interesse dospoderosos", referindo-se à indústria automobilística. LULA É DE QUEM? Nas considerações finais, Marta fez quase que um apelo aSerra. "Quero falar com o governador José Serra, quero ser asua parceria, quero governar essa cidade para que possamos darvida melhor aos paulistanos. Sem união, não tem jeito", disse apetista. Quanto a Lula, afirmou que o presidente lhe disse quedeseja sua vitória. "Ele disse, Marta, quero que você ganhe,porque com a situação econômica que o país está, vai dar parafazer muita coisa em São Paulo." Em sua vez, Kassab disputou os mesmos padrinhos. "Sou omaior parceiro do presidente Lula no Bolsa-Família, e do JoséSerra. Vamos consolidar as ações." A inclusão de candidatos em lista da Associação dosMagistrados Brasileiros (AMB) que aponta aqueles que respondema ações judiciais mereceu explicações de Paulo Maluf (PP) e deKassab. O prefeito é co-réu em processo da época em que foisecretário do ex-prefeito Celso Pitta. Ele afirmou que foiabsolvido, mas não disse que o Ministério Público recorreu e aação continua tramitando. Maluf afirmou que não há condenaçãoem nenhuma das sete ações contra ele. 1 MILHÃO DE ÁRVORES Maluf arrancou risadas da platéia, formada por assessores epolíticos ligados aos candidatos. "Plantamos um milhão deárvores na nossa gestão", disse, referindo-se ao período em quefoi prefeito, de 1993 a 1996. Citou mais de uma vez sua plataforma para o trânsito nestacampanha: criar uma "freeway" (avenida de alta velocidade)construindo uma lage sobre os rios Pinheiros e Tietê. Ainda lançou ao eleitor um desafio: escolher entre umengenheiro (ele próprio), uma psicóloga (Marta) ou um médicoanestesista (Alckmin). Já Ciro Moura (PTC) causou constrangimento ao responder auma pergunta sobre as soluções para a poluição do ar da cidade.Ele disse que estava mais preocupado com a "poluição humana,com as pessoas que moram nas ruas, sob os viadutos." Renato Reichmann (PMN) mostrou-se alinhado com Marta. Emuma pergunta feita por ela, disse que manteria os CEUS (CentrosEducacionais Unificados) e foi o único entre os candidatos achamá-la de "ministra". Marta ocupou a pasta do Turismo demarço de 2007 a junho último. (Edição de Renato Andrade)

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