Alckmin avisa que não desistirá

Sugestão de FHC, de apoiar Kassab à Prefeitura, não muda disposição de ex-governador

Gabriel Manzano Filho e Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) não vai mudar um milímetro de sua estratégia por causa das afirmações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - feitas ontem ao Estado - segundo as quais "seria ótimo" manter a aliança PSDB-DEM em São Paulo, com a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição.Embora Alckmin tenha evitado - nas entrevistas que deu de manhã - manifestar em público a discordância, sua disposição é de levar adiante a candidatura. "Há um sentimento majoritário, dentro do partido, segundo o qual ele deve ter candidato próprio em todas as capitais, especialmente em São Paulo", afirmou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), ligado ao governador. "Nesse caso, a opinião do ex-presidente conflita com a dessa maioria."Para o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio, "existe uma lógica" na proposta de Fernando Henrique, "mas só funciona se Alckmin compartilhar desse posicionamento, com um PSDB unido". Na entrevista, Fernando Henrique afirmou que "seria ótimo" que a aliança de Kassab com o PSDB "se mantivesse agora, nas eleições municipais, e que o Geraldo pudesse disputar o governo estadual, o que liberaria o Serra para disputar a Presidência".Kassab, logicamente, ficou feliz com a estratégia sugerida por FHC, mas reagiu com cautela. Disse que "é natural" a sua candidatura à reeleição, "mas é muito importante, também, que se mantenha a aliança" entre DEM e PSDB na disputa pela Prefeitura paulistana. "Não irá prevalecer nenhum projeto pessoal", advertiu o prefeito. Insistindo na importância de manter "uma aliança que é benéfica para a cidade", Kassab afirmou ainda que FHC pensa como ele "que o futuro da cidade de São Paulo deve ser definido pela manutenção dessa aliança". E acrescentou: "O que for definido pelos líderes partidários será o meu caminho." Uma fonte ligada ao prefeito acrescentou que, até o fim do mês, haverá outras manifestações tucanas de apoio ao seu nome. CONTRA MARTAPara o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), Fernando Henrique mostrou, na entrevista, que "está olhando estrategicamente". Pois Kassab "tem sido leal e fiel ao PSDB" e "o problema é ser competitivo contra a candidata Marta Suplicy". "Nosso adversário não é o Alckmin", frisou.As avaliações do ex-presidente foram recebidas com surpresa entre os tucanos ligados à candidatura Alckmin. "O presidente de honra do PSDB admite na entrevista que todos sabem que ele freqüentemente tem opiniões conflitantes com as do partido. Pois essa é uma delas", afirma Silvio Torres. Ele lembra ainda que FHC defende a importância das pesquisas. "E por que então mudar de opinião, quando as pesquisas mostram Alckmin na frente?"Nas contas de outro tucano, "já que o ex-presidente quer falar de estratégia", é preciso considerar que as eleições de 2008, em São Paulo, vão ser "uma vitrine, uma antecipação da batalha entre PSDB e PT em 2010. O próprio presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), segundo Torres, já havia dito que é difícil aceitar qualquer outro cenário que não seja o de presença forte do partido no cenário paulista. "Imagine todo mundo olhando para cá e o número 45 escondido", reforça o deputado. FRASESGilberto KassabPrefeito de São Paulo"Não irá prevalecer nenhum projeto pessoal. O objetivo é manter uma aliança benéfica"Silvio TorresDeputado (PSDB-SP)"É majoritário no PSDB o sentimento de que ele deve ter candidato próprio em todas as capitais"Rodrigo MaiaPresidente do DEM "O problema é ser competitivo contra a Marta. O adversário de Kassab não é o Alckmin"

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