Alckmin aumenta tom de críticas a Lula

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), elevou hoje o tom das críticas à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nessas eleições. "Acredito que a democracia é o respeito à lei e no regime republicano todos são iguais perante a lei. E vou mais longe: quanto maior a responsabilidade, mais importante é o exemplo," afirmou. Ele se referiu ao fato de Lula ter pedido votos à prefeita e candidata do PT à reeleição, Marta Suplicy, durante inauguração de obra pública na zona leste. Para Alckmin, não há problema algum no fato de o presidente da República declarar apoio, ir para a televisão pedir votos ou ir nos comícios dos candidatos que apóia. "Isso faz parte do processo democrático." Mas lembrou que a lei proíbe que se faça campanha em evento público, pago com o dinheiro público. "O que não podemos é aceitar (esse tipo de procedimento) como se fosse uma coisa do tipo tá valendo. Isso porque todos são iguais perante à lei e todos devem cumpri-la."Ao responder as críticas feitas pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que o acusou de fazer a mesma coisa que o presidente Lula, o governador fez o seguinte desafio: "Eu quero que alguém aponte uma vez em que eu, enquanto governador, fui inaugurar uma obra e me referi a um candidato, em qualquer cidade. Agora, como cidadão eu tenho direito de ir na televisão, no horário eleitoral e dizer quem eu apóio."Apesar das críticas que recebeu do presidente do senado, Alckmin disse que não pretende mudar sua postura, até porque a considera correta. "Eu sou Geraldo paz e amor", brincou. Mas destacou que é fundamental esclarecer a opinião pública sobre esses episódios, "porque estão querendo misturar alhos com bugalhos". "Ninguém vai ver o governador do Estado de São Paulo num evento de inauguração de obra paga com dinheiro público fazer campanha eleitoral, porque a lei proíbe e nós devemos dar o exemplo de respeito à lei."Ao ser perguntado sobre as críticas da prefeita Marta Suplicy de que o seu governo tem aumentado o volume de propaganda oficial na televisão neste período de campanha eleitoral, Alckmin disse: "É tão despropositado." Segundo o governador, em termos de publicidade, em um Estado (São Paulo) que é praticamente um País, do tamanho da Argentina, gasta-se menos com publicidade do que em muitos municípios.

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