Alckmin age para pôr fim à era Serra no Bandeirantes

Mudará chefia de 7 das 26 secretarias, fechará uma past, quer extinguir mais duas e criar três

Roberto Almeida / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2010 | 18h47

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), engrena um profundo rearranjo na administração estadual e tenta impor, tacitamente, um rompimento com a estrutura serrista no Palácio dos Bandeirantes.

 

Das 26 secretarias paulistas, o tucano decidiu mudar o comando de sete e extinguir uma. Ele estuda, ainda, emplacar nomes de sua lavra em pelo menos 13 pastas, liquidar a existência de mais duas e criar outras três.

 

Até agora, a equipe de transição de Alckmin resolveu extinguir a Secretaria de Ensino Superior e pretende decretar o fim da pasta de Relações Institucionais, considerada "inócua" pelos alckmistas. Ambas foram criadas pelo ex-governador José Serra (PSDB). Para substitui-la, a transição avalia recriar a Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, para articulação interna. Um dos nomes cotados para a tarefa é o atual secretário de Cultura, Andrea Matarazzo.

 

Outra secretaria que pode ser extinta é a de Comunicação, cujas atribuições, em forma de coordenadoria, poderiam ser repassadas à nova pasta de Governo ou à Casa Civil, comandada por Sidney Beraldo, chefe da transição tucana.

 

Serão criadas, em contrapartida, a Secretaria de Turismo, desmembrada da atual pasta de Esporte e Lazer, com vistas à Copa do Mundo de 2014, e a de Gestão e Desenvolvimento Metropolitano, para coordenar o guarda-chuva de infraestrutura estadual.

 

O principal cotado para assumir a tarefa metropolitana, vitrine da próxima gestão tucana, é o deputado eleito Emanuel Fernandes (PSDB), ex-prefeito de São José dos Campos e engenheiro pelo ITA e nome de confiança de Alckmin.

 

Contra-ataque. Essa reconfiguração do Palácio dos Bandeirantes, contudo, depende do intrincado tabuleiro de xadrez que está à frente de Alckmin. Uma das peças que mais luta por espaço é o grupo serrista, que contra-ataca às movimentações.

 

A ala fiel a José Serra pressiona, por exemplo, para emplacar o atual governador Alberto Goldman (PSDB) e mais dois secretários – Mauro Ricardo (Fazenda) e Luiz Antônio Guimarães Marrey (Casa Civil) – no tabuleiro.

 

A manutenção de espaço serrista passa ainda pela Secretaria de Segurança Pública, tocada atualmente por Antonio Ferreira Pinto. O principal nome alckmista que poderia sucedê-lo, Saulo de Castro Abreu Filho, foi indicado para Transportes.

 

São sinalizações, sentidas pela equipe alckmista, que ainda não tiveram solução final. Enquanto isso, é notório que Serra não está ausente do processo e acompanha a transição.

 

Nesta semana o tabuleiro deve se movimentar novamente. Membros da equipe de Alckmin trabalham para resolver áreas sensíveis e de grande visibilidade da próxima gestão, como Habitação, Fazenda, Educação, Justiça e Segurança Pública.

 

Pelas beiradas. À parte da disputa interna por espaço, sete partidos, essenciais para a governabilidade do tucano na Assembleia Legislativa, aguardam sua vez de abocanhar cargos.

 

Até o momento, o único aceno de Alckmin aos partidos aliados foi a indicação de seu vice, Guilherme Afif Domingos (DEM), para a pasta de Desenvolvimento – que inicia 2011 turbinada pelas atribuições da extinta Secretaria de Ensino Superior.

 

Somente outros dois nomes das siglas aliadas aparecem efetivamente cotados: Davi Zaia (PPS) para Emprego e Fábio Feldmann (PV) para Meio Ambiente. Enquanto isso, os deputados tucanos fiéis a Alckmin permanecem em stand by, aguardando a movimentação das secretarias.

 

Membros das reuniões de transição, eles também

pleiteiam espaço prioritário no governo.

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