Alckmin admite existência de crime organizado em penitenciárias

O governador em exercício, Geraldo Alckmin, admitiu hojea existência do crime organizado dentro do sistema prisional paulista. Ele negou,entretanto, que haja um comando paralelo e reafirmou que o governo estadual temcontrole sobre os presídios e não fará concessões de nenhum tipo. "O governo não vaiarredar o pé nessa questão do crime organizado. São quadrilhas e há dinheiro, muitodinheiro envolvido. Não há hipótese de eles comandarem, há firmeza absoluta nessesentido e o governo não volta atrás", disse Alckmin. Segundo Alckmin, o conjunto de rebeliões simultâneas, ontem, envolvendo 24presídios em 19 cidades foi uma "represália" dos detentos à ação do governo. "Narealidade, o que houve foi exatamente uma represália à medida do governo dedesarticular o crime organizado fazendo a transferência dos líderes", afirmouAlckmin. Ele reafirmou que quem comanda o sistema prisional é o governo. Na avaliação de Alckmin, no entanto, não há como impedir que algumas quadrilhas seorganizem dentro das penitenciárias. Não há como evitar também a entrada detelefones celulares e armas. "Infelizmente não conseguimos, ainda mais em grandescomplexos como a Casa de Detenção e a Penitenciária". Ele classificou de"inaceitável" a reação dos detentos de manter reféns os próprios parentes, diante dadecisão da transferência dos líderes do crime organizado. "Mas a Polícia Militaragiu com firmeza e competência e as coisas estão se normalizando. Não houveconcessão nem fugas", afirmou Alckmin.Segundo o governador em exercício, a partir de agora serão estudadas medidas queimpeçam a articulação das quadrilhas. Entre elas, o governo paulista busca novidadesna área tecnológica para impedir o funcionamento de telefones celulares dentro daprisão, mas sem prejudicar seu uso nas regiões adjacentes. Outra medida será aconstrução de novas unidades penitenciárias, nas quais o detento pode diminuir apena trabalhando, e a construção de uma penitenciária de segurança máxima. OCarandirú, reafirmou Alckmin, não será desativado por causa do grande número depresos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.