Alckmin acredita em "ira santa" contra Lula

Em jantar com um grupo de 220 empresários - cada um desembolsou R$ 3 mil - para arrecadar recursos para o PSDB, o presidenciável tucano, Geraldo Alckmin, disse na noite de terça-feira, em São Paulo, estar convencido de que o eleitorado está decepcionado com o governo do presidente Lula e que em outubro haverá "uma ira santa". Ao comentar que sente nas ruas, em viagens da pré-campanha, a decepção da população com o governo do PT, ressaltou. "Vai ter uma ira santa na eleição. As pessoas estão decepcionadas, há indignação." Em discurso de 31 minutos, Alckmin afirmou que o governo de Lula é "frouxo" do ponto de vista ético e que está "agonizando". "O País está paralisado. O governo acabou antes da hora", destacou, acrescentando que se o Brasil tivesse um sistema parlamentarista Lula já teria deixado o governo. "Mas infelizmente temos um modelo engessado", disse. O tucano classificou a administração do petista de governo de "amigos, companheiros e cupinchas". Em seguida, observou que um segundo mandato poderá ser ainda pior. "Se não fez reforma em quatro anos por que vai fazer num segundo mandato, que já começa terminando?", questionou. Apesar das duras críticas ao adversário, Alckmin utilizou a maior parte de sua fala - 21 minutos - para explicar a onda de violência que atingiu o Estado que ele governou. Para o tucano, a onda de atentados promovida pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foi uma reação à política rigorosa do governo paulista em relação aos criminosos. "Enfrentamos o crime. Às vezes não há rebelião porque há paz acordada. Você faz de conta que eu não te vejo e você faz de conta que não me vê. Em São Paulo, não", justificou, observando que os ataques do PCC foram uma resposta à decisão do governo de isolar os 745 lideres do crime identificados no Estado. "Se não enfrentarmos o crime, vai virar Farc", anotou em referência ao grupo guerrilheiro colombiano.Bem humorado, o tucano disse acreditar que chegará ao segundo turno das eleições. E que não medirá esforços para isso. Considerado um político conservador e discreto, brincou ao mencionar que "candidato sofre" para conquistar o eleitorado. "Outro dia eu estava em Campo Grande na Micarandi. Imagine eu, que não tem nada a ver com carnaval. Candidato sofre", finalizou.

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