Alceni Guerra nega conhecer os envolvidos na Operação Vampiro

Ex-ministro da Saúde no início do governo Fernando Collor de Mello, Alceni Guerra disse nesta sexta-feira que nenhuma das pessoas que estão sendo acusadas pela Polícia Federal de fraudar licitações para a compra de hemoderivados foram nomeadas em sua gestão. "Não conheço nenhum deles", afirmou.Guerra acrescenta que, ao assumir o cargo, em março de 1990, pediu à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro e ao Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) que apresentassem projetos de plantas de desenvolvimento de hemoderivados. "Retirar da iniciativa privada o comércio de sangue era uma decisão de governo", disse Guerra. "Não por denúncias de corrupção, mas por questão de segurança, pois era o pique da aids". O alto preço dos hemoderivados também pesou na opção por laboratórios públicos brasileiros. "Considerava uma exorbitância o que era pago", acentuou o ex-ministro.O ex-presidente do Tecpar, Lauro Alcântara, disse que, a pedido de Guerra, foi elaborado um projeto, baseado na planta da empresa sueca Pharmacia. "Era bem barato, bem enxuto e com inativação do vírus HIV", contou Alcântara. Com valor de cerca de US$ 10 milhões, ele ocuparia 23 funcionários e seria suficiente para processar todo o plasma da região Sul. E já havia, inclusive, aceno de financiamento externo.O projeto ficou pronto depois de janeiro de 1992, quando Guerra deixou o Ministério. Segundo Alcântara, ele foi entregue ao ex-ministro Adib Jatene e, depois, passou para seu sucessor Jamil Haddad, que os repassaram para suas equipes. "Nós cobramos, mas nunca tivemos resposta", afirmou. "É claro que os responsáveis não eram os ministros, mas devia contrariar interesses para não andar", avalia. "Esse é um setor que envolvia muito dinheiro".

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