Alca é prioridade para autoridades do Brasil e EUA

O grau de prioridade que o Brasil e os Estados Unidos dão à criação da Área de Livre Comércio dasa Américas, a Alca, ficou claro nos discursos que o secretário do Comércio dos EUA, Donald Evans, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Luiz Fernando Furlan, fizeram hoje ao abrir uma conferência de um dia de representantes do setor privado dos dois países, na Câmara de Comércio dos EUA. Embora as negociações comerciais não sejam a questão dominante do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush e seus ministros, amanhã, na Casa Branca, os americanos apostam que a reunião de cúpula manterá o Brasil engajado nas negociações, que os dois países co-presidem. Evans, que é o membro do gabinente americano pessoalmente mais próximo do presidente George W. Bush, disse que a ALCA é "o caminho para a prosperidade e o combate à pobreza" no continente. Ele sublinhou a "importância crucial da liderança do Brasil para a criação da ALCA". Embora tenha dito também que as diferenças entre os dois países no processo de negociação não definem o relacionamento bilateral , o secretário do Comércio deixou claro que Washington conta com o apoio do Brasil para alcançar um acordo. "O Brasil e os EUA compreendem os benefícios do livre comércio", disse, depis de fazer uma defesa veemente da capitalismo e da globalização. Furlan, que falou em seguida, não mencionou a Alca. Em lugar disso, explicou as medidas que o governo brasileiro está tomando para permitir ao país a explorar as oportunidades de expotação que o mercado americano oferece. Mas o ministro confessou que enfrenta resistências dentro do próprio gabinente presidencial para levar adiante uma estratégia mais agressiva de expansão do comércio exterior brasileiro. "Meu maior desafio tem sido a mudança de mentalidade de meus próprios colegas ( no ministério), o que não é fácil", afirmou. Ele emendou que "conta com a ajuda do presidente Lula e sei, por isso, que (a mudança de mentalidade) é possível". Empenhado em expandir as exportações brasileiras nos EUA, o ministro participou, hoje à tarde, da cerimônia de assinatura de um acordo de cooperação entre o Brazil Information Center (BIC), de Washington, e a Agência Brasileira de Promoção de Exportação (APEX). O objetivo é desenvolver e executar projetos voltados para a promoção de produtos "Made in Brazil" em vários setores. "Hoje, estamos apenas arranhando a superfície do Mercado americano, mas vemos muitas nova oportunidades para crescimento", disse Furlan. O ministro descreveu o acordo BIC-APEX como "um exemplo de cooperação"entre o governo e o setor privado na promoção das exportações brasileiras. A APEX é um agência federal. O BIC, que foi criado por iniciativa do embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, com apoio de fundos do Itamaraty, é hoje mantido por companhias e associações empresariais brasileiras com interesses no Brasil. O sucesso desta nova ofensiva de promoção das exportações brasileiras nos EUA certamente contribuiria para reduzir a resistência que existe à Alca no País.

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