Rodolfo Buhrer/Reuters
Rodolfo Buhrer/Reuters

Alarme no Brasil soou em várias áreas, como educação, economia e meio ambiente, diz Haddad

Ex-ministros emitiram manifesto conjunto em que apontam 'grande preocupação' com as políticas no governo Bolsonaro

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 11h59

O candidato derrotado à Presidência em 2018 Fernando Haddad (PT) criticou na manhã desta terça-feira, 4, o governo do presidente Jair Bolsonaro e disse que o alarme no País "soou em várias áreas". Ele citou, como exemplo, as áreas da educação, da economia e do meio ambiente.

As falas de Haddad foram feitas durante coletiva de imprensa que reuniu seis ex-ministros da Educação. Ao lado dele estavam também Cristovam Buarque (governo Lula), Aloizio Mercadante (Dilma), José Goldemberg (Collor), Renato Janine Ribeiro (Dilma) e Marcílio Hingel (Itamar).

"Houve hoje pela manhã uma manifestação de ex-ministros da Justiça na Folha de S.Paulo. O mesmo acontece na economia, na segurança pública, no meio ambiente, nas relações exteriores, nos direitos humanos e infelizmente não está sendo diferente na área da educação", afirmou Haddad.

Ao relembrar o trabalho deles à frente da pasta, Haddad disse que nenhum deles tratou a educação como "política partidária" e que atualmente a área de tem sido objeto de "rinha".

"Educação não pode ser objeto de rinha partidária, de disputas menores, que comprometam a continuidade de políticas estruturantes do desenvolvimento do nosso país, que deveriam estar sendo aprofundadas, e não fragilizadas pelas atitudes do Ministério da Educação", disse.

MANIFESTO

Os ex-ministros emitiram um manifesto conjunto em que apontam que têm "grande preocupação" com as políticas no governo de Jair Bolsonaro. Para eles, a atual administração apresenta a área como uma "ameaça". Eles disseram ainda que vão constituir o Observatório da Educação Brasileira.

"Numa palavra, a educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia. Com espanto, porém, vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça", diz o texto.

Os ex-ministros afirmam que em nenhuma área se conseguiu um acordo nacional "tão forte" quanto na educação, mas que o governo Bolsonaro deixa isso de lado.

"É impressionante que, diante de um assunto como a educação que conta com especialistas e estudiosos bem formados, o governo atue de forma sectária, sem se preocupar com a melhoria da qualidade e da equidade do sistema, para assegurar a igualdade de oportunidade", escreveram.

Os ex-ministros propõem ainda a construção de uma "ampla frente em defesa da educação". "Nós, neste momento, estamos constituindo o Observatório da Educação Brasileira dos ex-ministros da Educação, que se coloca à disposição para dialogar com a comunidade acadêmica e científica, sociedade e entidades representativas da educação, com parlamentares e gestores, sempre na perspectiva de aprimorar a qualidade da política educacional", diz o manifesto.

Na área da educação básica, eles pedem a renovação e ampliação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Na superior, cobram medidas para assegurar o ingresso e permanência dos estudantes, além da manutenção da autonomia universitária.

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