Alagoanos libertados de trabalho escravo voltam para casa

Doze pessoas de uma mesma família, que estava sendo submetida a trabalho escravo no Sítio Taquara, na zona rural de Campinas (SP), desembarcaram hoje em Arapiraca, a 150 quilômetros de Maceió, depois de quase dois dias de viagem de ônibus. Ao todo, 16 integrantes da família trabalhavam em regime de escravidão havia um ano e três meses, colhendo tomates. Localizados pela Procuradoria Regional do trabalho de São Paulo, eles disseram que ganhavam, juntos, R$ 660,00 por mês, o equivalente a R$ 40,00 para cada trabalhador. "Graças a Deus, o procurador do Trabalho de São Paulo, Ronaldo Lima, detectou a irregularidade e interferiu em favor da nossa libertação", disse Celestino Avelino Silva, um dos trabalhadores, ao desembarcar em Maceió, na segunda-feira, ao lado do sobrinho José Cláudio Nunes da Silva, em vôo da TAM. Celestino e José Cláudio estavam na rodoviária de Arapiraca para recepcionar os demais parentes. Outros dois integrantes da família ficaram no Estado de São Paulo, onde o grupo acumula uma dívida de quase R$ 2,5 mil.O delegado regional do Trabalho em Alagoas, Ricardo Coelho, disse que Alagoas é o segundo maior exportador de mão-de-obra escrava para outros Estados brasileiros. Só perde para o Maranhão. Somente nos meses de março e abril deste ano, foram interceptados 15 ônibus lotados de trabalhadores. Coelho calcula que outros 25 ônibus conseguiram furar o cerco montado pela Delegacia Regional do Trabalho e pela Polícia Federal.

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