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Ala pró-impeachment do PMDB tira Picciani da liderança e emplaca deputado mineiro

Leonardo Quintão já aparece como novo líder do partido de Michel Temer no site oficial da Câmara

Igor Gadelha e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2015 | 10h03

Atualizado às 13h13

Deputados da ala pró-impeachment do PMDB conseguiram destituir o líder da bancada e aliado do governo Dilma Rousseff, Leonardo Picciani (RJ). Com isso, os 66 peemedebistas passam a ser liderados pelo mineiro Leonardo Quintão, apoiado pelo grupo que defende o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Essa ala da bancada do PMDB protocolou uma lista com 35 assinaturas, uma a mais que o mínimo necessário. Entre eles está o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ). A mudança na liderança do PMDB já foi divulgada pelo site oficial da Câmara. Picciani permanece, porém, como líder do bloco PMDB-PEN, mas na prática sua capacidade de articulação entre os peemedebistas já está fragilizada.

Ontem, Cunha evitou comentar o movimento pela derrubada de Picciani. Em coletiva de imprensa, o peemedebista afirmou que não estava emitindo opinião sobre o assunto nem interferindo no trabalho da liderança desde que deixou o cargo de líder para assumir a Presidência da Câmara.

Aliados de Temer. Na lista de apoio a Quintão, há ainda deputados próximos do vice-presidente Michel Temer, como Edinho Araújo (SP). O parlamentar foi ex-ministro dos Portos e deixou o cargo na última reforma ministerial, após ser substituído por Helder Barbalho (PMDB-PA), filho do senador Jarder Barbalho (PMDB-PA).

Edinho foi citado na carta enviada por Temer à presidente Dilma Rousseff na terça-feira. No texto, o vice-presidente da República reclama que Dilma o ignorou na reforma ministerial, chamando Picciani para fazer acordo por indicações em troca de apoio político na Câmara.

"Sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido. (...) E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado", escreveu Temer.

Quintão tem 40 anos e está no terceiro mandato como deputado federal. Em 2012, disputou a prefeitura de Belo Horizonte. Na Câmara, Quintão é relator do Código de Mineração e responsável pelo substitutivo cujo arquivo eletrônico foi criado em um notebook do escritório Pinheiro Neto, que tem como clientes as mineradoras Vale e BHP Billiton. As duas empresas controlam a Samarco, mineradora responsável pela barragem rompida em Mariana (MG).  

Como vem mostrando o Broadcast Político, deputados da ala pro-impeachment do PMDB começaram a colher assinaturas para derrubar Picciani desde segunda-feira (7). O movimento teve início após o deputado carioca se negar a indicar peemedebistas anti-governo para a Comissão Especial do impeachment e ganhou força com a carta do vice-presidente Michel Temer, na qual ele faz críticas ao ex-líder do partido. O desentendimento também culminou no lançamento de chapa paralela para o colegiado, que acabou derrotando chapa governistas ontem por 272 a 199 votos.

Segundo Osmar Terra (PMDB-RS), Picciani foi "totalmente insensível" ao pedido da ala pró-impeachment para que dividisse as oito indicações da legenda para comissão especial. "Se tivesse dividido 5/3 ou 4/4, não teria havido ruptura. Mas ele disse que ia exercer a prerrogativa de líder para indicar quem fosse mais adequado", contou. "Agora vai pagar o preço de não ter sido líder da bancada, mas do governo", emendou o deputado, que liderou o movimento ao lado de Darcísio Perondi (RS), Lúcio Vieira Lima (BA) e Lelo Coimbra (ES). 

Picciani, contudo, pode tentar reverter o pedido, caso consiga obter novamente assinaturas de deputados a seu favor. O deputado carioca ainda não foi localizado para comentar o assunto. Em entrevista ontem, o deputado tinha minimizado o movimento contra ele. Prevendo o revés, o líder anunciou que os secretários do Rio de Janeiro Marco Antônio Cabral (Esportes) e Pedro Paulo (secretário-executivo de coordenação do governo) devem retomar seus mandatos de deputado federal para apoiá-lo. 

Veja quais deputados assinaram pela saída de Picciani:

 

 

 

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