LUIS MACEDO/AGÊNCIA CÂMARA
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Ala jovem do PSDB vê ação do Planalto em escolha do relator e declara 'guerra'

Jovens tucanos concluíram que a indicação do presidente da CCJ foi 'desrespeitosa' e 'desleal' para com o partido

Daiene Cardoso e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 20h48

BRASÍLIA - A escolha do tucano Bonifácio de Andrada (MG) para a relatoria da denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência da República) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara levou a ala jovem do PSDB, os chamados "cabeças-pretas", a declarar "guerra" ao Palácio do Planalto.

Os jovens tucanos concluíram que a indicação do presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), foi "desrespeitosa" e "desleal" para com o partido, que não queria nenhum de seus liderados nesta função. A indicação foi interpretada como uma "provocação", uma tentativa direta do governo de rachar e constranger a bancada. "Isso nos força a nos unir e ter uma atitude mais agressiva. Agora é guerra total, não há trégua", avisou o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE).

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Os parlamentares dizem que não há questionamento quanto a qualidade técnica de Bonifácio, que é professor de Direito Constitucional e está no seu décimo mandato. "A discussão não é a capacidade dele, a gente não entra nesse mérito. Mas é extremamente constrangedor para o partido, que já está nessa divisão. Estão jogando álcool para apagar incêndio", definiu o deputado Fábio Sousa (PSDB-GO).

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O grupo diz que se o Planalto acreditava que teria mais votos da bancada do PSDB na apreciação da segunda denúncia, a nova situação distanciou ainda mais os tucanos do governo porque, segundo eles, há digitais claras no episódio. Um tucano disse que se antes havia espaço para diálogo, agora acabou. "É muito difícil não ver dedo do Palácio nisso aí. Fica muito claro essa tentativa (de constranger)", comentou Sousa.

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Pacheco ignorou os apelos do líder da bancada na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), e anunciou Bonifácio como relator da nova peça da Procuradoria Geral da República (PGR). Tripoli alegou que na primeira denúncia, enterrada em agosto, o parecer que livrou Temer foi produzido pelo deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), o que provocou desgaste para a imagem do partido e dividiu os tucanos em plenário.

A aliados, Bonifácio reclamou do bombardeio da ala tucana que prega a saída do partido da base governista e critica sua escolha como relator por ele ter votado com o governo na primeira denúncia. Segundo fontes, o mineiro atribui o foco da tensão ao PSDB paulista, do líder Tripoli.

Nesta quinta-feira, 28, Pacheco avisou que vai manter a indicação, a menos que Bonifácio desista da relatoria. O peemedebista afirmou que sua escolha não pode depender de posicionamento de siglas. "Se os partidos resolverem dizer que não querem, amanhã todos vão dizer que não querem e eu não vou poder escolher ninguém. O critério não é do partido, é da CCJ", alegou. "O PSDB não queria, o DEM não queria, outros partidos queriam. A escolha foi da pessoa do deputado federal, que reputo adequada", emendou o presidente da CCJ.

PRESSÃO

A direção do PSDB tenta agora persuadir Bonifácio da "inconveniência" do convite e faz pressão para que o mineiro abra mão da relatoria. Não está descartada a possibilidade de destitui-lo da comissão caso o deputado se recuse a deixar a função. "Estamos tentando convencê-lo a recusar esse negócio", contou o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), coordenador da bancada na CCJ.

O clima de animosidade chegou ao presidente em exercício do partido, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que conversou com o Tripoli sobre o caso. Interlocutores confirmam que Tasso e Tripoli estão alinhados sobre a questão. Tasso ouviu também a opinião do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que tem sido um dos representantes dos cabeças-pretas na outra Casa.

"O incomodo é muito grande, parece que a escolha do Bonifácio foi para provocar um segmento do partido que defende a saída do PSDB do governo. Se o partido está dividido em relação ao tema, o mais recomendado é que não fosse alguém do PSDB pra fazer o relatório. Isso me parece uma brutal provocação e um desrespeito às divergências que existem no PSDB", afirmou.

Nos bastidores, há quem já discuta a destituição de Bonifácio do posto na CCJ. "A minha expectativa é que o deputado Bonifácio Andrada faça uma reflexão e abra mão (de ser o relator). Ele (Bonifácio) não é obrigado a aceitar, e aí o problema fica na mão de quem articulou essa maldade. O estresse voltou a ficar muito grande dentro do partido", complementou Ferraço. /COLABOROU LEONARDO AUGUSTO 

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