Ala governista do PMDB barra candidatura própria

Por margem apertada, a ala governista do PMDB venceu a convenção do partido realizada neste sábado no Senado, derrotando o grupo liderado pelo ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato à Presidência da República. Por 351 votos contra 303, prevaleceu a tese de que o partido não deve ter candidatura própria ao Planalto. Também foram registrados um voto nulo e uma abstenção.Antes da apuração, os governistas acreditavam que numa vitória esmagadora, por mais de 150 votos de diferença. Garotinho, apesar de derrotado, deu uma demonstração de força. Anunciado o resultado, o ex-governador atacou os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Nós vencemos os covardes, os corruptos e os traidores. Vencemos o Lula e seus 40 ladrões e os que liberam ambulâncias, passagens e emendas. Nem assim conseguiram vencer", comemorou. Em seguida, convidou o senador Pedro Simon (RS) a se candidatar presidente, tendo ele, Garotinho, como vice. Até junho, a posição do PMDB deverá ficar indefinida.Pouco antes de começar a apuração dos votos que definiriam se o PMDB teria ou não candidato próprio à Presidência, a claque de Garotinho, formada por cerca de 40 pessoas, partiu em direção à mesa diretora dos trabalhos gritando palavras de ordem em que colocava o resultado da convenção sob suspeição.SanguessugaO deputado Eduardo Cunha (RJ), partidário da pré-candidatura de Garotinho, subiu à tribuna para denunciar que o suplemente Paulo Lustosa (CE) teria votado irregularmente. Diante da acusação, os ânimos se exaltaram. "Aha, uhu, Lula é sanguessuga" e, ao estilo dos defensores do ex-ministro José Dirceu (PT-SP), bradou: "Garotinho é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo".Preocupados com a possibilidade de invasão e quebra-quebra, os dirigentes do partido convocaram a segurança, que imediatamente formou um cordão de isolamento, impedindo que os mais exaltados pudessem interromper o processo de apuração. "Vamos ter calma", pediu o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).O apelo foi desconsiderado por Cunha, que se dirigiu ao microfone para acusar o deputado Eunício Oliveira (CE) de ter escalado funcionários de sua própria empresa, a Confederal - que faz a segurança da maioria dos órgãos públicos federais -, para combater as manifestações pró-Garotinho. Irritado, Eunício cobrou respeito de Cunha usando palavra de baixo calão: "Você me respeite, seu m." Garotinho interveio e pediu calma a ambos.Nunca uma convenção do PMDB teve tão pouca participação de militantes como a realizada em Brasília. O senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado - e da República em exercício -, determinou o fechamento dos principais acessos do Congresso para impedir a entrada de militantes e dificultando até mesmo o ingresso de jornalistas. Temendo ser vaiado, Renan acompanhou a apuração junto com o ex-presidente José Sarney (MA), trancado em seu gabinete.SuspeiçãoOs problemas na apuração dos votos começaram logo ao final da votação. O deputado Eduardo Cunha levantou uma questão de ordem na qual pediu que o resultado da convenção não fosse divulgado por conta da decisão judicial que suspendia os efeitos da reunião. Baseado na mesma liminar, Cunha também solicitou que o encontro tivesse apenas o caráter de consulta, e não de uma convenção nacional, como desejavam os governistas.Diante do pedido, Temer resolveu manter a divulgação da apuração, mas ressalvou que aceitaria a segunda parte do pleito.O resultado final anunciado teria o caráter de consulta. A decisão impede que a tese vitoriosa passe a vigorar com a força de uma resolução partidária.Além disso, descobriu-se, no momento da contagem, cinco votos a mais do número que constava na lista oficial de votação. Com isso, anunciou Temer, o resultado era passível de anulação, caso a diferença fosse menor do que cinco votos.

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