Ala do PT quer Constituinte para fazer reforma política

Proposta foi aprovada em Minas e une até arqui-rivais Tarso e Dirceu

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2005 | 00h00

Nada de refundação nem de acerto de contas. Dois anos depois do escândalo do mensalão, que dizimou a cúpula do PT, o antigo Campo Majoritário caminha para recuperar musculatura na correlação de forças internas e vai defender, no 3º Congresso Nacional do partido, dia 31, a convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para votar a reforma política.Polêmica por natureza, a proposta foi aprovada pelo encontro estadual do PT de Minas, no mês passado, e tem obtido apoio das mais diversas tendências. Deverá unir até mesmo dois arqui-rivais no partido: o ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu e o ministro da Justiça, Tarso Genro.''''Somente uma ampla mobilização popular somando partidos, sindicatos, igrejas, juristas, movimentos sociais, homens e mulheres comprometidos com o avanço da democracia e dos valores republicanos garantirá a convocação da Constituinte exclusiva'''', diz um trecho da resolução, que passou pelo crivo do PT mineiro e será encaminhada ao 3º Congresso.A reforma política foi enterrada pela Câmara no mês passado, após quatro versões que, na prática, pretendiam salvar o financiamento público de campanha. Agora, a idéia do ex-Campo Majoritário - grupo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Dirceu e de todos os que protagonizaram as últimas crises - é encampar a sugestão dos mineiros para marcar posição no megaencontro petista com a chapa Construindo um novo Brasil.Lula mostrou simpatia pela idéia de submeter a reforma política a uma Constituinte específica há exatos 12 meses, quando Tarso, então ministro das Relações Institucionais, conversou sobre o tema com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).O governo não quis aparecer como patrocinador da proposta, mas, mesmo assim, foi bombardeado pela oposição, que viu na iniciativa ''''um prenúncio de chavismo'''', em referência aos plenos poderes conferidos por uma Constituinte ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.Com a derrota da reforma política na Câmara, porém, a sugestão voltou a freqüentar gabinetes do Planalto e discussões para o Congresso petista, que vai até 2 de setembro, em São Paulo. Apesar das expectativas sobre o debate em torno dos rumos do PT, após a sucessão de crises, o encontro não debaterá a punição dos envolvidos em escândalos e muito menos a refundação do partido, defendida pela chapa Mensagem ao Partido, capitaneada por Tarso.''''Essa história de acerto de contas é retórica para a luta interna'''', afirmou Dirceu ao Estado. ''''Delúbio (Soares, ex-tesoureiro) foi expulso do PT, a direção do partido caiu em 2005 e todo mundo está respondendo na Justiça'''', completou, ao lembrar que nos próximos dias 22, 23 e 24 o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se aceita a denúncia do mensalão, oferecida pelo Ministério Público.Para o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP), do grupo de Tarso, a idéia de convocar uma Constituinte para votar a reforma política parte do pressuposto de que o Legislativo dificilmente se revê. ''''Até porque os atuais parlamentares são beneficiários desse sistema, que precisa mudar.''''

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