Ala do PMDB ligada a Kassab já resiste a Chalita

Deputado vai ingressar na sigla no dia 4 com a promessa feita por Temer de comandar diretório, mas grupo ligado ao prefeito não reconhece acordo

Fernando Gallo, de O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2011 | 23h00

A ala do PMDB paulistano ligada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, resiste a entregar o comando da legenda ao deputado federal Gabriel Chalita, que vai se filiar ao partido no próximo dia 4. O grupo, capitaneado pelo presidente licenciado do diretório municipal, Bebetto Haddad, se opõe a uma proposta feita pelos correligionários mais próximos do vice-presidente da República, Michel Temer, para que o diretório paulistano se dissolva.

 

Ao convidar Chalita a ingressar no PMDB-SP, Temer prometeu ao deputado a presidência do diretório municipal. No entanto, conforme o estatuto da legenda, um filiado só pode presidir uma instância da sigla se nela estiver há pelo menos seis meses.

 

A única possibilidade de Chalita assumir o comando é a dissolução do diretório permanente e a nomeação de um provisório. Para que isso ocorra, metade mais um dos membros do diretório municipal têm de renunciar.

 

Segundo Haddad, a mudança de comando só poderia ser feita por uma intervenção do Diretório Nacional. "Isso tem que ser feito via intervenção. O Michel Temer teria que intervir. É complicado. Não fizemos isso com o Paulo Skaf (presidente da Fiesp, recém-filiado ao PMDB) nem com o próprio Kassab quando ele quis entrar no partido".

 

Avesso à ideia, Haddad, que se tornou secretário de Esportes de Kassab no começo do mês, quando o prefeito abriu espaço para o PMDB em seu governo, afirma que apoia a candidatura de Chalita à Prefeitura em 2012, mas diz não ver necessidade de entregar o comando do diretório ao deputado. "O Chalita é o nosso candidato a prefeito. Estamos fortes com ele. Agora, não vemos a necessidade nem a possibilidade de entregar o comando do partido para ele porque somos um partido orgânico."

 

O sinal de alerta sobre a expansão da influência de Kassab no diretório municipal foi aceso no grupo de Temer quando o prefeito passou a dizer a líderes do PMDB nacional que Chalita era o candidato do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na eleição de 2012.

 

Aliança ameaçada. A provável candidatura de Chalita frustra os planos de Kassab, que, contando com o tempo de TV, pretendia atrair o PMDB para a candidatura a ser lançada por seu novo partido, o PSD. Em 2008, o PMDB foi fundamental na reeleição de Kassab. A aliança foi costurada pelo então governador José Serra (PSDB) e garantiu a vice para Alda Marco Antonio.

 

Outro incômodo entre o grupo de Temer é a suposta proximidade do prefeito de São Paulo com o empresário Paulo Skaf, recém-filiado ao PMDB. Há um temor de que Skaf queira disputar com Chalita a indicação do partido como candidato à Prefeitura, caso a ala ligada a Kassab comande o processo eleitoral na legenda com Haddad à frente.

 

Nos planos de Temer, Skaf é um nome para ser trabalhado pelo partido para a eleição de 2014, para o Palácio dos Bandeirantes.

 

Modelo estadual. A manobra da dissolução pretendida pelos correligionários liderados pelo vice-presidente da República é semelhante à que foi executada no diretório paulista do PMDB no início do ano. A ação foi orquestrada para tirar o partido das mãos de aliados do ex-governador Orestes Quércia, morto em 2010. O deputado estadual Baleia Rossi, filho do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, está à frente da sigla no Estado.

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