Ala do DEM quer Kassab governador

Integrantes do partido pretendem evitar a candidatura do tucano Geraldo Alckmin no ano que vem

Ana Paula Scinocca, Clarissa Oliveira e Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Animados por pesquisas de intenção de voto que mostram o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), bem posicionado no Estado de São Paulo, aliados começaram a alimentar o nome do prefeito como possibilidade para entrar na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes em 2010. A articulação, segundo o Estado apurou, tem como objetivo principal tentar evitar que o ex-governador e secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, seja o candidato tucano ao governo paulista. Apesar de apontada até por aliados de Kassab como uma possibilidade extremamente remota, a tese de lançar o prefeito dificultaria uma articulação pró-Alckmin no PSDB, dando força, na prática, à candidatura do secretário da Casa Civil no Estado, Aloysio Nunes Ferreira, que tem boa relação com o DEM. Também fortaleceria Kassab para viabilizá-lo como principal nome para disputar o governo do Estado em 2014. Desde a eleição municipal de 2008, a relação entre DEM e Alckmin não é das melhores. No ano passado, o ex-governador saiu enfraquecido da disputa pela prefeitura paulistana, depois de resistir a uma composição com Kassab. Acabou ficando fora do segundo turno. Ultimamente, tem buscado se reaproximar do DEM. Encontrou-se recentemente com um dos principais líderes do partido, o ex-senador Jorge Bornhausen.As pesquisas às quais o DEM teve acesso deixaram o núcleo próximo a Kassab entusiasmado. Nas sondagens, ele aparece com 38% das intenções de voto, contra 48% de Alckmin. O Estado apurou que aliados do prefeito também teriam pedido a institutos de pesquisa que colocassem o seu nome nos próximos levantamentos. Kassab teria ficado "animado", nas palavras de aliados, com a possibilidade de aparecer como um nome eleitoralmente viável. "Ele está animado. Viu o resultado das pesquisas e está empolgado com a possibilidade", disse um importante líder do DEM no Congresso.O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), confirmou que o partido teve conhecimento da pesquisa. "É importante ter um nome bem colocado nas pesquisas, mas tudo vai passar por (José) Serra (governador paulista)", afirmou. E completou: "Acho difícil que o Kassab faça qualquer movimento que vá de encontro ao do Serra." As pesquisas, segundo Maia, não foram feitas a pedido do DEM.De acordo com Bornhausen, o partido vai manter seu acordo com o PSDB. "Nosso primeiro compromisso é apoiar o candidato lançado por Serra. O segundo é ceder a vaga para o Senado a Orestes Quércia (ex-governador paulista). E o terceiro é lançar como candidato majoritário Afif Domingos (secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho)", declarou.Segundo o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal, o partido terá candidato na eleição do ano que vem. "O nome de Geraldo Alckmin está colocado. Se outros partidos quiserem ter seus candidatos, é da democracia. Mas o PSDB terá o seu." Aníbal não quis comentar a articulação de parte do DEM a favor do prefeito Kassab. A movimentação do DEM, no entanto, já foi detectada por setores do PSDB paulista. "Essa tentativa de aliados de Kassab pretende claramente inibir a candidatura Alckmin", afirmou um aliado do ex-governador paulista.Quércia (PMDB), que tem acordo com o PSDB e o DEM para a eleição de 2010, avalia que Kassab não será lançado. "Mas, se ele quisesse, acho que seria um candidato fortíssimo", afirmou. "Acho bastante cedo para discutirmos 2010. No entanto, ele é um homem bem popular. Acho que se tornou um líder paulista", declarou Cláudio Lembo, secretário de Negócios Jurídicos.Procurado, Kassab não se manifestou.

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