Ala de Lula será rebatizada para esquecer a crise

Antigo Campo Majoritário, ao qual também pertence Dirceu, fará pesquisa nacional para definir novo nome

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Em nova tentativa de virar a página das crises protagonizadas por seus principais dirigentes, o antigo Campo Majoritário do PT - corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - mudará de nome. Depois de tentar emplacar sem sucesso o mote "Construindo um Novo Brasil", título da chapa apresentada pela tendência de Lula para o 3º Congresso do PT, de 31 deste mês a 2 de setembro, o grupo fará pesquisa nacional para definir como será rebatizado. A idéia é promover consulta pela internet aos integrantes da corrente, que abriga ainda o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e todos os outros dirigentes do PT abatidos pelo escândalo do mensalão, em 2005. Mesmo antes da sondagem, porém, a recaída socialista do partido, que ressuscitará esse debate depois de ver o governo Lula aliar-se à direita, inspira companheiros saudosistas, ávidos por reabilitar a Articulação velha de guerra."Vamos fazer uma aferição para definir o novo nome da corrente depois de ouvir as opiniões na nossa plenária", afirmou Francisco Rocha, um dos coordenadores da chapa "Construindo um Novo Brasil". "Se os militantes quiserem que seja Articulação, pode ser, mas eu prefiro uma nova simbologia."O assunto provoca interesse até no Planalto. Lula já foi consultado e respondeu que pensará sobre o assunto. "Em Minas, esse nome Campo Majoritário nunca pegou. Sempre foi Articulação", contou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci. Os históricos do PT, como ele, ainda lembram os velhos tempos da Articulação dos 113, nos anos 80, quando o partido era sustentado pelo tripé formado por sindicalistas, Igreja e intelectuais. Vinte e sete anos depois, com um Roberto Jefferson e muitos aloprados no meio do caminho, o plano da ala moderada é chegar com outra marca na disputa pelo comando do PT, que deve ser antecipada para dezembro. Tudo indica, no entanto, que o candidato do antigo Campo Majoritário será o atual presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP). Mesmo sem fazer o acerto de contas destinado a punir os responsáveis pelas crises, a corrente de Lula acredita que o conteúdo dessa embalagem será recheado por propostas conduzidas por ela, já que ganhou musculatura na correlação de forças internas. Em sintonia com o Planalto, o grupo quer encaixar na resolução do Congresso do PT a defesa da convocação de Assembléia Constituinte exclusiva para votar a reforma política, como antecipou o Estado no domingo. "O problema é que está todo mundo escaldado com decisões de bloco e ninguém mais vai aceitar a tática do rolo compressor", disse o deputado Jilmar Tatto (SP), do "PT de Luta e de Massas" e terceiro vice-presidente da sigla. Tatto é um dos poucos que resistem a apoiar a Constituinte: "Tenho dúvidas se esse é o remédio mais eficaz para resolver problemas do sistema eleitoral." Sabe, porém, que a proposta tem tudo para passar: apoio de Lula, do ex-Campo e da ?esquerda?. "Mas o carimbo do ?cumpra-se? perderá força. A partir de agora, tudo terá de ser negociado."

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