Al Qaeda divulga gravação póstuma de Bin Laden em áudio

A Al Qaeda divulgou uma gravação póstuma em áudio de Osama bin Laden, na qual ele elogia as revoluções que varrem diversos países árabes e pede que mais "tiranos" sejam derrubados.

SAMI ABOUDI, REUTERS

19 de maio de 2011 | 12h08

Os islâmicos têm chamado a atenção por sua ausência dos levantes no Oriente Médio e no norte da África, liderados em grande medida por cidadãos comuns revoltados com governos autocráticos, corrupção e economias mal conduzidas.

A Al Qaeda e outros grupos militantes desencadearam campanhas sangrentas mas malsucedidas para depor os mesmos governantes, e ao elogiar as revoltas Bin Laden, que foi morto em um ataque dos EUA no Paquistão no dia 2 de maio, parecia tentar tornar os islâmicos novamente relevantes.

A Al Qaeda disse que Bin Laden, mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, gravou uma mensagem uma semana antes de sua morte. O áudio foi incluído em um vídeo de mais de 12 minutos de duração publicado em sites islâmicos na Internet.

"O sol da revolução nasceu no Magreb. A luz da revolução veio da Tunísia. Trouxe tranquilidade à nação e alegria ao semblante das pessoas", diz o orador, que soa como Bin Laden.

"À nação muçulmana - estamos observando com você este grande evento histórico e compartilhamos com você a felicidade e a alegria. Parabéns por suas vitórias e que Deus conceda perdão a seus mártires, recuperação a seus feridos e liberdade a seus prisioneiros."

O presidente da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, foi deposto por protestos em massa em janeiro, seguido por Hosni Mubarak, no Egito.

Bin Laden elogiou a revolução egípcia e exortou os manifestantes árabes a manter o ímpeto, acrescentando: "Acredito que os ventos da mudança irão envolver todo o mundo muçulmano."

"Esta revolução não foi por comida e roupas. Ao invés disso, foi uma revolução por glória e orgulho, uma revolução de sacrifício e doação. Ela inflamou as cidades e vilarejos do Nilo de alto a baixo", disse ele.

"Aos rebeldes livres de todos os países - mantenham a iniciativa e sejam cuidadosos no diálogo. Nada de conciliação entre as pessoas da verdade e as do desvio."

Bin Laden não fez referências específicas a Líbia, Síria, Barein e Iêmen, onde protestos pró-democracia tiveram menos sucesso do que no Egito e na Tunísia, mas disse que Israel, rejeitado por muitos árabes comuns, está preocupado com os tumultos.

Bin Laden pediu que os jovens árabes consultem "os dotados de experiência e honestidade" e que organizem uma estrutura que lhes permita "acompanhar os acontecimentos e trabalhos em paralelo... para salvar as pessoas que lutam para derrubar seus tiranos".

Mas ele não mencionou ou apoiou governos democráticos, uma exigência fundamental dos manifestantes no Egito, na Tunísia e no Barein em particular. Figuras proeminentes da Al Qaeda geralmente destilam desprezo por democracias de molde ocidental, que vêem como contraditória com os valores islâmicos.

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