AL precisa investir em educação e tecnologia para crescer, diz Bird

Os países da América Latina - Brasil incluído - precisam investir urgentemente em educação e tecnologia se quiserem se aproximar dos níveis de crescimento econômico do leste da Ásia e do Primeiro Mundo. Essa é a conclusão central de um relatório anual sobre a região, divulgado pelo Banco Mundial (Bird). "A América Latina sofre de déficits significativos em capacitação educacional e desenvolvimento tecnológico e, conseqüentemente, de baixos índices de crescimento em produtividade", destaca o documento Closing the Gap in Education and Technology (Reduzindo o Atraso em Educação e Tecnologia) e coordenado por Guillermo Perry, principal economista do Bird para a América Latina. O relatório, de 300 páginas, faz um retrato crítico do desenvolvimento educacional e tecnológico da região nas últimas décadas. O Bird considera, por exemplo, índices de matrícula e escolaridade, investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), importação de novas tecnologias e registros de patentes. O termo básico de comparação é a média de renda per capita de cada nação comparada à de países asiáticos, Europa e EUA. Atraso Segundo o Bird, a América Latina está atrasada em todos os aspectos, apesar de o governo brasileiro contestar algumas das conclusões. "O objetivo do relatório não é criticar nenhum país especificamente, mas chamar atenção para o papel crucial da educação e do desenvolvimento tecnológico para o crescimento da região", disse Perry. O banco aponta, logo de início, que a renda per capita anual da América Latina dobrou entre 1950 e 2000, passando de US$ 3 mil para US$ 6,2 mil. Um avanço pouco significativo se comparado ao dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) - entre eles, Estados Unidos, Reino Unido e Polônia. Nesse bloco, a renda triplicou no mesmo período, de US$ 7,3 mil para US$ 23 mil. Comparativamente, a renda dos latino-americanos, que correspondia a 40% da renda dos americanos e europeus 50 anos atrás, passou a ser apenas um quarto. Ou seja, os ricos ficaram mais ricos e os pobres enriqueceram menos. Segundo o relatório, esse atraso deve-se, principalmente à falta de habilidade dos países latino-americanos em assimilar novas tecnologias e prover educação nas escolas. "Tecnologia e habilidades são fatores importantes para o desenvolvimento, e a América Latina está em falta de ambos", enfatiza o Bird. "Aumentar a produtividade é essencial para melhorar as perspectivas de crescimento. E utilizar mão-de-obra capacitada e tecnologia é fundamental para elevar a produtividade." O maior vilão - mas também a grande solução - dos maus índices educacionais apontados para os países latino-americanos é o ensino médio, especialmente no Brasil. O relatório do Bird diz que enquanto a região apresenta altas taxas de matrículas no ensino fundamental e também um crescimento do número de universitários, o antigo colegial registra um "déficit maciço". Esse problema acaba influenciando no desenvolvimento do País por uma razão simples: quanto menos pessoas cursarem o ensino médio, menos estarão aptas para a universidade, o que acarreta um menor número de trabalhadores capacitados. Segundo o estudo, o número de matrículas no ensino médio é 20 pontos porcentuais abaixo do que deveria ser, de acordo com a renda per capita na América Latina. O banco critica ainda a pouca abertura econômica de alguns países, o que dificulta a introdução de novas tecnologias do estrangeiro, seja por meio de produtos ou investimentos em capital. "Tecnologia não precisa ser desenvolvida; pode também ser adotada. Mas países em desenvolvimento precisam ter níveis mínimos de capacitação", alerta o documento. "A idéia é que os países importadores aprendam com o conhecimento agregado nos produtos que importam. Uma maior abertura da economia para o comércio internacional, investimentos e troca de conhecimento resulta em aumentos de produtividade quase instantâneos." O relatório faz uma comparação específica entre o Brasil e a China, dois países considerados semelhantes pelo tamanho, disparidades regionais e recebimento de investimentos estrageiros. Os brasileiros perdem mais uma vez na comparação. O crescimento da China foi excessivamente maior que o do Brasil desde 1980 e uma das razões foi o investimento chinês no ensino médio, enquanto os brasileiros teriam se concentrado no ensino superior. Equilíbrio A melhor forma de resolver o problema, segundo o banco, é investir em tecnologia e educação simultaneamente, de forma que seja mantido um equilíbrio entre os dois setores. Não adianta desenvolver um ambiente de incentivo à tecnologia se não houver profissionais habilitados para trabalhar com essa tecnologia; assim como não adianta formar mão-de-obra especializada sem oferecer a tecnologia necessária para que esses profissionais exerçam suas habilidades. Um desequilíbro pode acarretar dificuldades, como a fuga de cérebros para países mais desenvolvidos, o que já ocorreu no Brasil. "Educação parece ser o maior promotor de capacitação e a adoção de tecnologias, seu maior instigador."

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