Ajuste requer ‘coragem’, afirma Levy

Para ministro da Fazenda, todos no governo têm responsabilidade com a recuperação das contas públicas, crescimento e geração de empregos

O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2015 | 00h19

BRASÍLIA - O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta quinta-feira, 1º, que “é preciso ter coragem” para promover os ajustes na economia e que as medidas são uma “missão” para a equipe econômica. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff deu, no discurso que fez no Congresso, orientação clara sobre os compromissos imediatos: “crescimento, mais empregos e qualidade de vida”. 

Ele lembrou que Dilma disse que tem coragem para fazer. “É exatamente isso. Como no discurso da presidente, temos de ter coragem de fazer. Essa é nossa missão”, afirmou. 

Para ele, o discurso também mostrou que ela buscou o compromisso de todos para o ajuste fiscal, a vigilância sobre a inflação e a necessidade de crescimento econômico. “O ajuste das contas públicas, o crescimento econômico e a geração de empregos são responsabilidade de todos nós”, disse, logo depois do encerramento da sessão do Congresso. Segundo Levy, a fala de Dilma mostrou que o triunvirato econômico - ele, Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central) - não agirá sozinho para dar conta de tudo. 

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“Todos nós estamos engajados no ajuste e na recuperação econômica. Meu colega Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) tem conhecimento técnico de primeira qualidade. A ministra da Agricultura (Kátia Abreu) também.” 

‘Medidas necessárias’. Mais tarde, no Palácio do Planalto, o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, também falou sobre os ajustes. Ele disse que o ano de 2015 será de “medidas necessárias”. “Eu acho que, passada esta fase inicial de correções aqui e ali, a economia brasileira vai responder rapidamente como sempre respondeu”, disse o ministro. Para ele, “o crescimento econômico depende da estabilidade econômica e a própria estabilidade também depende do crescimento”. Por isso mesmo, justificou, “foram adotadas já algumas medidas para recuperar rapidamente o resultado fiscal do governo e controlar a inflação”. 

Sobre os próximos quatro anos, Barbosa disse que espera “crescimento com redução da desigualdade, uma recuperação rápida da economia brasileira, que sempre demonstrou uma capacidade muita rápida e versátil de adequação às mudanças no contexto econômico tanto nacional, quanto internacional”. 

Presente no Palácio do Planalto, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco - primeiro nome convidado por Dilma para ocupar o Ministério da Fazenda -, disse que espera um crescimento ainda modesto para a economia em 2015. Trabuco elogiou a escolha de Joaquim Levy para o ministério destacando a experiência administrativa do novo titular da Fazenda. “No governo do Rio, por exemplo, ele não apenas acertou as contas do Estado como ainda conseguiu aumentar a arrecadação.” 

Mercado. A fala da presidente no Congresso seguiu uma postura que ela mesma já havia adotado nos dias finais do primeiro mandato para buscar a simpatia de um setor considerado “termômetro” da economia: o mercado financeiro. “Acho que ela está fazendo de tudo para conquistar o mercado. Ela pode conseguir, se continuar assim, mas acho que ela poderá ganhar a um preço muito alto”, avaliou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, conselheiro informal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da própria Dilma, a quem apoiou publicamente nas eleições. “Ganhar a um preço muito alto pode ser pior do que perder.” 

A escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, em novembro, foi o primeiro desses movimentos. Levy pertence à uma escola de pensamento completamente distinto do seguido pelo ex-ministro da pasta Guido Mantega e da própria Dilma, que também tem formação econômica. 

Na semana da posse, Dilma também autorizou o anúncio de um pacote de medidas duras que agradam ao mercado e geraram críticas de sindicalistas. Para poupar R$ 18 bilhões em gastos federais, o governo anunciou regras muito mais rígidas para a concessão de benefícios previdenciários, como a pensão por morte e o auxílio-doença, e também benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego e o abono salarial. Durante a campanha presidencial, Dilma repetiu várias vezes que não permitiria a redução de direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”. 

Relatórios de consultorias e de bancos privados apontaram esse pacote do governo como na trilha certa. / JOÃO DOMINGOS, TÂNIA MONTEIRO, MARCELO DE MORAES e JOÃO VILLAVERDE

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