Ajuste dificulta execução de compromissos eleitorais

O prometido ajuste na economia pode dificultar a execução dos compromissos sociais do programa da candidata Marina Silva (PSB). Declarações recentes de auxiliares econômicos de Marina vão nessa direção.

LUIZ GUILHERME GERBELLI, Estadão Conteúdo

15 de setembro de 2014 | 21h28

Ao jornal Valor Econômico, o economista Eduardo Gianetti afirmou que as promessas serão cumpridas conforme as condições econômicas permitirem, sem que haja prejuízo fiscal para a economia brasileira.

O próximo governo deverá ter pouca margem de manobra por causa da piora das contas públicas e dos vários desequilíbrios apresentados pela economia brasileira.

A piora fiscal já colocou o Brasil no radar das principais agências de classificação de risco. Na semana passada, a Moody?s revisou a nota de crédito do Brasil de estável para negativa. No fim de março, outra agência, a Standard & Poor?s (S&P), rebaixou o rating brasileiro para BBB-, o menor possível entre os países com "grau de investimento".

"Não existe (a possibilidade) de aumentar nada em 2015. O ano que vem vai ter que cortar (gastos). A margem de manobra é zero", disse Raul Veloso, especialista em finanças públicas. "A Marina está se direcionando para atender as demandas das manifestações (de junho), que chamaram a atenção para a pobreza dos serviços públicos. É difícil imaginar, em qualquer época, que os serviços públicos seriam melhorados sem o aumento do gastos. Se isso ocorresse, eu diria que seria um escândalo de eficiência."

Em 2015, a economia também deverá crescer pouco. O Boletim Focus - pesquisa semanal feita pelo Banco Central -, divulgado ontem, mostra que o mercado aposta em crescimento de apenas 1,04% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015. Em janeiro, a previsão era de 2,50%.

"Um ajuste vai ser necessário, mas eu questiono um pouco o fato de o Brasil crescer pouco. Quando há uma situação de recessão, a retomada é sempre mais robusta", afirmou Marcelo Moura, professor de macroeconomia e finanças do Insper. "Isso ocorre porque a economia fica com capacidade ociosa e não é preciso investir tanto para crescer."

Inflação

A campanha de Marina também demonstrou preocupação com a promessa de manter o centro da meta de inflação em 4,5%. Na última ata, o próprio Banco Central admitiu que o índice só vai convergir para 4,5% no início de 2016. Ou seja, somente no segundo ano do próximo governo.

No domingo, o jornal Folha de S. Paulo informou que o economista Alexandre Rands, um dos mais próximos da ex-ministra, propôs aumentar o centro da meta, sobretudo por causa do represamento dos preços administrados. Marina negou qualquer mudança.

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