Airbus nega falha em avião da TAM, mas CPI duvida

O vice-presidente de Segurança de Vôoda Airbus, Yannick Malinge, disse nesta quinta-feira à CPI daCrise Aérea na Câmara dos Deputados que as investigações nãoapontam nenhuma pane mecânica ou falha nos computadores doavião da TAM que explodiu no dia 17 de julho em São Paulo. Opresidente da CPI ainda duvida da afirmação. "Na primeira análise conjunta (dos registros das caixaspretas do avião) não vemos nenhuma pane. Não houve panemecânica ou falha dos computadores de bordo", disse Malinge,respondendo a uma pergunta do relator Marco Maia (PT-RS). A Airbus é a fabricante da aeronave da TAM que fazia o vôo3054, um Airbus A-320, que não conseguiu frear e explodiu aocolidir com um prédio no dia 17 de julho quando tentava pousarno Aeroporto de Congonhas, matando 199 pessoas. Foi o maiordesastre da aviação civil brasileira. Malinge disse que considera "prematuro" afirmar que a falhano reverso da turbina 2 do avião tenha contribuído paraprovocar o acidente. Mesmo negando falhas da aeronave fabricadapela Airbus, ele ressaltou que ainda é cedo para indicar ascausas do acidente. O presidente da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) considerou"uma estranha contradição" o executivo da Airbus dizer que écedo para definir as causas do acidente e já afirmar que nãohouve falha na aeronave. "Não estou convencido com as explicações dele ainda. Nãoposso afirmar que houve pane mas não estou convencido de quenão houve", disse Cunha a jornalistas. Malinge descartou a hipótese, levantada pelo relator MarcoMaia, de os pilotos terem posicionado corretamente o manete domotor direito, para fazê-lo desacelerar, e esse comando não tersido transmitido corretamente ou não funcionado. "Existem vários mecanismos captores da posição do manete.Não houve em nenhum momento registro (nas caixas pretas) demovimento transitório (do manete) para a posição idle (aposição em que o manete deveria estar para o pouso correto)",afirmou o vice-presidente da Airbus. O presidente da CPI continua duvidando, no entanto, que osmanetes tenham sido posicionados de forma errada pelos pilotosda TAM, como sugere o depoimento do vice-presidente da Airbus. "Me parece pouco provável que um piloto experiente comoaquele tenha esquecido de puxar um dos manetes", disse Cunha ajornalistas. Segundo o vice-presidente de Segurança da Airbus, osregistros do acidente não indicam ainda que houve falha nofuncionamento dos spoilers (os freios aerodinâmicos que não seabriram na tentativa de pouso) e o motor número 2 (direito) doavião funcionava acelerando a aeronave, conforme a posição domanete de comando. "As gravações mostram que o avião funcionava normalmente noque diz respeito aos spoilers (...) A turbina número 2funcionava com empuxe, de acordo com a posição do manete",disse Malinge, acrescentando que os freios manuais também foramacionados normalmente pelos pilotos. O executivo da Airbus negou que o acidente estejarelacionado ao alto índice de controle por computadores nosaviões da família A-320, e disse que os pilotos poderiamoperá-lo manualmente, se quisessem. "Durante todos os momentos do vôo e da aterrissagem atripulação poderia adotar a escolha do procedimento manual",argumentou. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) informou que o avião daTAM que explodiu em Congonhas foi fabricado em fevereiro de1998 e tinha o numero de série 791. O A-320 que sofreu umacidente em Taiwam, em 2004, também com um problema no controledo reversor, tinha o número de série 789, fabricado no mesmomês, segundo o deputado. "Qualquer que fosse o número sequencial do avião, osmecanismos de controle seriam os mesmos", reagiu Malinge,acrescentando que outros aviões de outros fabricantes tambémsofreram acidentes em situações em que os manetes estavam naposição errada. Em seu depoimento, o executivo da Airbus reafirmou ostermos do último "telegrama de informação de acidente" emitidopela empresa há uma semana, com base na análise das caixaspretas. O telegrama foi distribuído às companhias aéreas queutilizam aviões da Airbus. "Se tivéssemos a menor dúvida de uma falha nos equipamentosteríamos feito essa informação às companhias aéreas", afirmou. O relator quis saber a quem o executivo da Airbus atribuíaa responsabilidade pelo acidente, já que não seria da própriaAirbus, nem da TAM, segundo a empresa brasileira, nem da pistade Congonhas, segundo o governo. "Se não é responsabilidade da Airbus, se não é da TAM, eunão determinaria qualquer nível de responsabilidade", disseMalinge, citando a legislação internacional sobre investigaçãoe prevenção de acidentes. Ele acrescentou que a decisão dos pilotos de pousar emCongonhas, nas condições em que a pista se encontrava nomomento do acidente, "estava em conformidade com as nossasinstruções técnicas."

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