'Ainda tenho caneta para fazer miséria neste País', diz Lula

Presidente participou de comício em Recife nesta sexta com a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff

Rodrigo Alvares, enviado especial, e Angela Lacerda - RECIFE, Estadão.com.br

27 de agosto de 2010 | 23h45

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta sexta-feira, 27, que “ainda tem caneta para fazer miséria neste País”, ao lembrar que tem quatro meses e alguns dias de governo. Ele fez a afirmação depois de ouvir discursos em tom de despedida feitos durante comício realizado no Marco Zero, centro histórico do Recife, junto com a candidata Dilma Rousseff. "Alguns companheiros estão falando tanto, mas matariam para ser presidente por um dia”, afirmou. Previsto para reunir 10 mil pessoas, o ato teve a participação de duas mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar. A maioria, militância paga.

     

Lula, que não retorna  a Pernambuco até à eleição, pregou o voto fechado da coligação liderada pelo atual  governador e candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB).  Também atacou duramente os candidatos da coligação oposicionista no Estado. Sem citar nomes, fez gozação com o senador Marco Maciel, que tenta a reeleição, dizendo que “parece que ele já foi senador no tempo do imperador” e perguntou ao público: “O que ele trouxe para Pernambuco?”.

 

No seu discurso, Dilma, com voz rouca e aparentando cansaço,  disse que “no dia 31 de dezembro todos nós vamos ficar de coração apertado”. “Vamos ver o maior presidente que este País teve, descendo a rampa do Planalto”, afirmou ela, ao emendar: “Só tem um jeito desse coração não ficar tão pequenininho, é saber que serei presidenta da República para dar continuidade ao governo do presidente Lula, do jeito que conhecemos, e continuar avançando, de cabeça erguida”.

 

Ela destacou que “apesar das calúnias e mentiras que muitas vezes aparecem, vamos seguir em frente fazendo proposta clara de desenvolvimento do Brasil e de Pernambuco”, e atendeu, no discurso, ao pedido feito pouco antes por Eduardo Campos: “Nos trate como o presidente Lula nos tratou”.

 

“Vamos assegurar que Pernambuco seja este Estado que mais cresce”, disse ela, ao garantir que o legado do presidente, “que trabalha para as pessoas e não para as coisas” e “faz política com sentimento”, visando a promover o crescimento do País para 190 milhões de brasileiros.

 

“Hoje é um dia especial, um dia em que a gente agradece ao presidente”, disse, num mote repetido pelos outros oradores da noite – os candidatos da chapa majoritária pernambucana, que foram alvo de elogios. “Sem parceiros e sem equipe não conseguimos fazer nada”, disse ela, ao pedir voto dos deputados estaduais e federais e dos candidatos ao Senado – Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro Neto (PTB).

 

Ao falar na saudade e na gratidão ao presidente, Eduardo Campos se disse ansioso para que chegue o dia três “porque o povo vai falar alto no Brasil, no Norte, Nordeste, no Sul, Sudeste, o povo brasileiro é um só, está animado e quer que Lula fique, com Dilma comandando”.

 

Pediu para se manterem atentos e não aceitar provocação. “A oposição não está entendendo o que está acontecendo porque não entende de povo, não conhece o Brasil na real como o senhor conhece”, disse ele, que conclamou todos para lutarem para fazer “da vitória de Dilma em Pernambuco a maior do Brasil”.

 

Ânimos acirrados

 

O esquema de segurança e o atraso para o início do ato colaboraram para que os militantes deixassem o local, comentaram alguns petistas, ao explicar a platéia aquém do previsto.Depois de a segurança da Presidência da República retirar e isolar os cabos eleitorais do Marco Zero  os ânimos ficaram acirrados. Em um primeiro momento, apenas convidados vips e a imprensa puderam entrar no local. A organização esperava, mas o que se via no início da chegada dos militantes era empurra-empurra na hora de passar pelos detectores de metais. Algumas mulheres caíram no chão e desmaiaram.

 

Alguns dos presentes se divertiam com a situação, outros, não. "Hoje é dia do show do homem (Lula)", bradou um cabo eleitoral, resignado. Pouco depois, entretanto, alguns militantes começaram a bater os cabos das bandeiras com raiva contra as grades de metal.

 

À espera da chegada de Lula e da presidenciável Dilma Rousseff para comício nesta sexta-feira com o governador de Pernambuco e candidato à reeleição, Eduardo Campos (PSB), cabos eleitorais, em sua maioria remunerados, gravam imagens para a campanha governista na capital pernambucana.

 

A maioria dos militância presente era paga. De acordo com um dos 60 cabos eleitorais de Eduardo Campos, o candidato à reeleição prometeu pagar paga R$ 20 – mais R$ 5 para o almoço – para que elas tremulassem bandeiras no local do comício.

 

Entre os militantes que se encontravam na praça, uma mulher tremulava a bandeira do ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT-PE) - atualmente candidato ao Senado pelo PT. Ela afirmou que lhe foi prometido um salário mínimo por mês até o fim das eleições, fora refeição e eventuais passagens.

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