Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Ainda tem o que entregar sobre Temer, diz Funaro

Corretor diz que negociação de acordo de delação premiada com procuradores ainda não chegou ao fim

Fábio Fabrini e Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2017 | 12h16

BRASÍLIA - O corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, preso em Brasília, disse na quarta-feira, 16, que ainda tem o que entregar sobre o presidente Michel Temer em sua delação premiada. Ao sair de uma audiência da 10.ª Vara da Justiça Federal, ele foi questionado por jornalistas se resta muito o que falar sobre o presidente nos depoimentos de colaboração que vem prestando ao Ministério Público Federal (MPF). "Tem, tem. Ainda tem", respondeu, enquanto era escoltado por policiais de volta à Penitenciária da Papuda.

Funaro não falou sobre o conteúdo de sua delação, mas contou que a negociação de um acordo com os procuradores ainda não chegou ao fim, pois há impasse sobre os benefícios a serem concedidos a ele. 

O corretor afirmou que há uma "diferença grande" entre o tempo de prisão que os investigadores sugerem que ele cumpra e o que a defesa dele propõe. Declarou também que há divergência quanto ao valor da multa a ser paga por ele.

Funaro passou as últimas semanas na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, prestando depoimentos ao MPF. Segundo fontes que acompanham as tratativas, as informações apresentadas por ele devem reforçar a segunda denúncia a ser apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer.

Funaro acompanhou audiência na Justiça Federal na condição de réu na ação penal que apura esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal. Ele é acusado de atuar em parceria com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na cobrança de propina de grandes empresas que tinham interesse em  receber recursos do banco. 

Na quarta-feira, 16, o ministro Moreira Franco prestou depoimento, na condição de testemunha.  

O advogado do presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz, disse ao Estado que não iria comentar as declarações de Funaro.

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