Água é vendida a R$ 300 no semi-árido piauiense

São mais de 600 mil pessoas sofrendo com os efeitos da seca nessa região

Luciano Coelho, do Estadão

16 de julho de 2007 | 18h52

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Piauí (Fetag-PI), Evandro Luz, denunciou nesta segunda-feira, 16, que estão vendendo uma carrada (7 metros cúbicos) de água a R$ 300 no semi-árido. A denúncia foi encaminhada ao secretário estadual de Defesa Civil, Fernando Monteiro, para que tome as providências cabíveis.  Segundo Evandro Luz, a água é vendida em ancoretas (pequeno barril), galões e mesmo em carros-pipa. Os galões de água de 200 litros são transportados em carroças. As ancoretas são amarradas no lombo de animais. A água é vendida, explica ele, porque o local de coleta fica longe e a água não é de boa qualidade.  O secretário estadual de Defesa Civil, Fernando Monteiro, afirmou que o governo está tomando providências em parceria com municípios, Exército e governo federal. Foram iniciados os trabalhos para colocar em funcionamento 100 poços artesianos que foram perfurados na região do semi-árido. "Os poços serão equipados e abertos à população. Também contratamos carros-pipa e estamos distribuindo cestas de alimentos", disse ele.  O secretário afirmou que as denúncias sobre venda de água devem ser encaminhadas ao Ministério Público para que as medidas cabíveis sejam tomadas. Ele acredita que assim que os carros-pipa contratados passarem a entregar a água, este comércio deixará de existir. Parte das ações adotadas pelo governo são feitas pelo Exército para evitar uso político ou fomento dessa indústria.  Segundo a direção da Fetag, são mais de 600 mil pessoas sofrendo com os efeitos da seca nessa região e apesar da decretação de estado de calamidade, muitas prefeituras não estão repassando água e alimentos para atender à população.  Evandro Luz alertou que a situação já é de calamidade e está se tornando insustentável. "Os trabalhadores rurais estão revoltados e ameaçam saquear armazéns com alimentos e ocupar prédios públicos", disse ele. "Precisamos de um atendimento rápido, não tímido como o atual e que não atende a todos". Governo  Segundo o governo do Piauí, dos 223 municípios do Estado - 151 deles no semi-árido - 128 decretaram estado de emergência. Desses 128, 99 já tiveram pedido homologado pelo governo federal e 29 ainda estão com processos pendentes. Dos 99, 21 tiveram o decreto de emergência reconhecido pelo governo federal e estão aptos a receber ajuda federal.  Nenhum carro-pipa foi ainda contratado pelo governo federal ou estadual no Piauí, embora quatro municípios tenham sido autorizados a contratar. A previsão é que isso possa ocorrer ainda no final deste mês ou início de agosto. O orçamento para os carros-pipas é de R$ 3,3 milhões e o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, em visita ao Estado dia 6 de julho, autorizou a instalação de 100 poços tubulares , orçados em cerca de R$ 2,1 milhões.  As áreas mais afetadas são as microrregiões de Picos, São João do Piauí e São Raimundo Nonato. Embora a estiagem faça parte da vida do Estado e da população do semi-árido, este ano é considerado "atípico", segundo o diretor de programas especiais da Defesa Civil do Piauí, James Alves da Silva. "As chuvas foram poucas e esparsas". A estiagem começou a se apresentar em abril, quando normalmente a seca começa a afetar as populações a partir de julho/agosto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.